O partido de oposição na Venezuela liderado pela ex-legisladora exilada e ganhadora do Nobel María Corina Machado mobilizou voluntários em todo o país na semana passada para arrecadar doações para sobreviventes dos terremotos que ficaram desabrigados, mas encontrou um obstáculo inesperado: a Polícia Nacional.
Na quinta-feira (25), Heidy Loicett, liderança do partido de oposição Vente, estava sob uma lona azul em uma calçada em Portuguesa —estado a cerca de 440 quilômetros da zona do desastre— enquanto as pessoas passavam levando diversos itens, como fraldas, água engarrafada e roupas usadas.
A polícia também apareceu, disse ela. Vários policiais da Polícia Nacional da Venezuela e agentes da agência federal de Defesa Civil tentaram encerrar a campanha de arrecadação de doações, explicou ela em entrevista por telefone após o ocorrido.
Ela acrescentou que foi informada de que todas as doações deveriam ser canalizadas através do governo federal. "Disseram que não podíamos ter um centro de arrecadação, que o único ponto autorizado para receber doações era a Defesa Civil e o governo", disse Loicett. "Isso foi perseguição política."
O embate sobre quem deve receber o crédito pelos esforços de ajuda humanitária para a nação devastada pelos terremotos evidencia uma batalha muito maior e de alto risco pela sobrevivência política em uma Venezuela fragmentada.













