Brasileiro ajudou a transformar o futebol japonês dentro e fora de campo e ainda é tratado como uma das figuras mais importantes da história do esporte 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Doan e Maeda comemoram gol do Japão contra a Suécia na Copa do Mundo — Foto: Alex Slitz/Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 05:05 Zico Revoluciona Futebol Japonês com Conceito de "Malícia" Zico, ex-camisa 10 do Brasil, transformou o futebol japonês ao introduzir o conceito de "malícia", que representa competitividade e astúcia em campo. Durante sua passagem como técnico da seleção japonesa (2002-2006), ele instigou uma mentalidade mais ofensiva e competitiva. Seu impacto é duradouro, com o conceito sendo parte central do futebol no Japão, onde é venerado como "Deus do Futebol". CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Às vésperas do confronto entre Brasil e Japão pelos 16 avos de final da Copa do Mundo, um termo em português voltou a ganhar destaque no noticiário japonês. Não se trata de uma expressão qualquer, mas de uma palavra que atravessou continentes e passou a fazer parte da identidade do futebol do país asiático: "malícia". Embora o significado literal remeta à esperteza ou astúcia, o conceito ganhou um sentido ainda mais específico dentro das quatro linhas. Para dirigentes, treinadores e jogadores japoneses, "malicia" representa a capacidade de competir com intensidade, administrar momentos de pressão e agir com o instinto competitivo característico do futebol brasileiro. E a origem dessa transformação tem nome e sobrenome: Zico. O ex-camisa 10 da seleção brasileira levou o conceito ao Japão durante sua passagem como técnico da equipe nacional, entre 2002 e 2006. Em diversas entrevistas da época, o Galinho defendia que o talento técnico dos japoneses precisava ser acompanhado de uma postura mais competitiva. "Eles não sabem lidar com a decepção. Quando um adversário simula uma falta, simplesmente param para reclamar", afirmou Zico em uma entrevista concedida em 2006, ao explicar por que insistia tanto na ideia de "malicia". A observação não surgiu de alguém de fora. Quando assumiu a seleção japonesa, Zico já era uma das figuras mais respeitadas da história do futebol local. Sua relação com o país começou em 1991, quando aceitou o convite para defender o então Sumitomo Metals, equipe que daria origem ao Kashima Antlers na criação da J.League, a liga profissional japonesa. Aos 38 anos, já aposentado e ocupando o cargo de ministro dos Esportes no Brasil, Zico encarou a mudança não como um último contrato, mas como uma missão de desenvolvimento do futebol japonês. Ao chegar, encontrou uma realidade distante do profissionalismo que conhecera no Flamengo. Jogadores fumavam antes das partidas, os treinamentos aconteciam apenas após o expediente na fábrica da empresa mantenedora e a estrutura ainda era bastante precária. Mesmo assim, rapidamente mudou a cultura do clube. Além de liderar a equipe dentro de campo — marcou três gols na goleada por 5 a 0 sobre o Nagoya Grampus na rodada inaugural da J.League, em 1993 —, implantou uma mentalidade voltada para a busca constante pela vitória. O Kashima Antlers tornou-se uma das maiores potências do futebol japonês, e o legado do brasileiro extrapolou os resultados. Até hoje, Zico é tratado como uma figura quase mítica em Kashima. A cidade possui duas estátuas em sua homenagem, uma praça batizada com seu nome e um tradicional grupo de torcedores chamado "Espírito de Zico". Seu apelido no país resume o tamanho da admiração: sakka no kamisama, ou "Deus do Futebol". O reconhecimento também chegou à seleção. Durante seus quatro anos no comando, o Japão conquistou a Copa da Ásia de 2004, empatou amistosos contra Inglaterra e Alemanha fora de casa e passou a adotar um estilo de jogo mais ofensivo e ousado, ainda que a eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2006 tenha encerrado seu ciclo. Mais importante do que os resultados imediatos, porém, foi a mudança cultural. O atual técnico japonês, Hajime Moriyasu, que enfrentou Zico como jogador na J.League, considera o brasileiro uma das figuras mais importantes da história do futebol do país. "Zico é uma referência para todos nós. Ele ajudou o Japão a alcançar novos patamares no futebol internacional", afirmou o treinador durante a preparação para o duelo contra o Brasil. Duas décadas depois de deixar o comando da seleção, a influência do brasileiro continua presente. A palavra "malicia" segue aparecendo em entrevistas, análises e jornais esportivos japoneses como sinônimo de maturidade competitiva — um conceito importado do futebol brasileiro e incorporado ao vocabulário local. Nesta segunda-feira, quando Japão e Brasil voltarem a se enfrentar em uma Copa do Mundo, Zico estará nas arquibancadas em Houston. Declaradamente torcedor da seleção brasileira, ele já admitiu, em outras ocasiões, que também sentiria orgulho caso os japoneses avançassem.
Como Zico ensinou a 'malícia brasileira' ao Japão e mudou para sempre o futebol do país
Brasileiro ajudou a transformar o futebol japonês dentro e fora de campo e ainda é tratado como uma das figuras mais importantes da história do esporte











