Principal produto cultural do país, rival da seleção no mata-mata, quadrinhos e animações exploraram o esporte e a Copa do Mundo como sonho e, anos depois, como objetivo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mangás retratam diferentes momentos do futebol no Japão — Foto: Reprodução; Julio Cesar AGUILAR / AFP; Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/06/2026 - 03:13 Mangás e Animês Revelam Conexão Japão-Brasil no Futebol Mangás e animês como "Super Campeões" e "Blue Lock" exploram a relação do Japão com o futebol e o Brasil, refletindo o crescimento do esporte no país. "Super Campeões" projetou o sonho japonês no futebol, enquanto "Blue Lock" aborda a ambição de vencer a Copa do Mundo. O sucesso dessas obras inspirou iniciativas reais, como camps para descobrir talentos de ascendência japonesa, destacando a influência cultural e esportiva desses produtos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde que o confronto entre Brasil e Japão (nesta segunda-feira, às 14h, em Houston) foi definido para a primeira rodada do mata-mata da Copa do Mundo, as redes sociais foram inundadas de lembranças de uma cena específica: o último episódio da série de animê (animação produzida no Japão) “Super Campeões”, que mostra um confronto entre as duas seleções na abertura de um Mundial. O episódio termina no início da partida. A cena, fruto de uma das várias adaptações animadas do mangá (quadrinhos do país) homônimo, foi ao ar no Japão em outubro de 2002, pouco depois da final da Copa daquele ano, no Japão e na Coreia do Sul, vencida justamente pelo Brasil. É um dos vários capítulos da história do futebol nipônico narrados pelos mangás e animês, produtos de entretenimento mais populares do país pelo mundo. “Super Campeões”, ou “Captain Tsubasa”, no original, foi concebido por Yoichi Takahashi em 1981, numa época em que o Japão sequer tinha uma liga profissional de futebol — o que só aconteceria com a instituição da J-League, em 1991. O sucesso no esporte era nada mais que um sonho, uma projeção, o que explica tamanho fascínio com a seleção e com o futebol brasileiro, que figuram ao longo dos vários arcos, sequências e adaptações da obra. Capa do volume 11 de Captain Tsubasa World Youth, uma das várias continuações em mangá da série — Foto: Reprodução/Shueisha Enquanto o mangá será publicado por aqui pela primeira vez a partir de julho, pela editora Panini, as adaptações em animê são sucesso no Brasil, em alguns países da Europa, além do próprio Japão, desde os anos 1990. Narram a trajetória de Tsubasa Ozora (Oliver Tsubasa, na tradução brasileira) do futebol colegial ao profissional. No caminho, o jovem japonês apaixonado pelo esporte ganha a mentoria de um ex-jogador e treinador brasileiro, Roberto Hongo, e eventualmente vai ao Brasil para atuar no São Paulo. Levemente inspirado em Musashi Mizushima, japonês “descoberto” por Pelé, que fez base no tricolor e atuou no futebol paulista nos anos 1980, Tsubasa encontra companheiros e rivais inspirados em vários craques da vida real ao longo de suas aventuras. Futebol cresce e ganha novos ângulos De lá para cá, o futebol do país cresceu, a seleção japonesa virou a maior potência de seu continente e viu o protagonismo em Copas do Mundo passar de sonho a objetivo. Os mangás e animês retratam essa nova realidade e o “Blue Lock”, mangá de 2018 (publicado pela Panini no Brasil), é o melhor exemplo. Lançado um mês após a eliminação para a Bélgica nas oitavas de final do Mundial daquele ano, a história escrita por Muneyuki Kaneshiro mostra uma reação quase imediata a essa frustração e o desejo japonês de levantar o troféu. A capa do volume 1 de Blue Lock — Foto: Reprodução Enquanto na vida real a resposta foi a troca de treinador e a chegada de Hajime Moryiasu, em “Blue Lock”, o excêntrico diretor Jinpachi Ego monta uma academia para 300 jogadores sub-20 em destaque no cenário nacional com o objetivo de produzir o melhor centroavante do país. Os personagens, incluindo o protagonista, Isagi Yoichi, que sonha em representar o Japão em uma Copa, são estimulados a desenvolver uma valência para além das táticas, técnicas e físicas: uma mentalidade “egoísta” que coloca seu desempenho acima do coletivo. E são encorajados a fazer gols a qualquer custo. Mas os conflitos causados fazem com que entendam a importância do jogo coletivo para que os talentos individuais possam aparecer. Justamente um dos principais traços da seleção japonesa. Essa dicotomia se reflete na atual geração de meias e atacantes do país, que desbrava inéditos papéis de destaque em ligas fora do país. Artilheiro do Feyenoord-HOL na última temporada e do Japão na Copa, com dois gols (e uma assistência), Ayase Ueda, de 27 anos, acredita que, mesmo decisivo, seu papel se resume a 10% da jogada. Já afirmou que sua principal função na construção é “fazer com que a qualidade do time se sobressaia”. Koki Ogawa (28), do NEC-HOL, cujo ídolo é Lewandowski, diz que joga cada partida com o sentimento de que está “desesperado para marcar gols”. Inspiração para projeto de captação O sucesso de “Blue Lock”, que também ganhou adaptação em animê, inspirou um projeto da vida real. Em maio, a federação japonesa anunciou a criação de camps fora do país para identificar e desenvolver talentos de ascendência japonesa fora do país. O primeiro será na Califórnia, nos Estados Unidos, no início de agosto. No comunicado, o autor comemora: “Criei esse mangá com tudo que tinha, ele se conectou com os sonhos de apaixonados por futebol, e um plano real se formou. Que seja um lugar para descobrir talentos ainda maiores do que os de Blue Lock”. Federação japonesa anuncia camp inspirado em Blue Lock — Foto: Divulgação/JFA O goleiro da seleção, Zion Suzuki, de 23 anos, já é uma amostra dessa futura realidade. Filho de um ganês-americano e de uma japonesa, nasceu nos EUA, mas se mudou para o Japão, onde se formou como jogador. Seus sonhos, como ele mesmo diz, “podem parecer saídos de um animê”. — Quero me tornar um dos melhores goleiros do mundo e vencer a Liga dos Campeões — afirma.
De 'Super Campeões' a 'Blue Lock': mangás e animês explicam relação do Japão com o futebol e com o Brasil
Principal produto cultural do país, rival da seleção no mata-mata, quadrinhos e animações exploraram o esporte e a Copa do Mundo como sonho e, anos depois, como objetivo










