Relembramos campanha da seleção no Mundial e resgatamos declarações do camisa 10 em diferentes momentos: "Se não bato, e outro perde, iam me chamar de covarde" 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Zico durante Copa do Mundo no México, em 1986 — Foto: Sebastião Marinho/Agência O GLOBO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/06/2026 - 18:50 Zico Reflete Sobre Pênalti Perdido na Copa de 1986 e Impacto na Carreira Zico relembra o pênalti perdido contra a França na Copa de 1986, destacando que, mesmo fora de forma, era sua responsabilidade cobrar. O camisa 10 do Brasil lamenta o erro, mas ressalta que não foi o único a perder pênaltis. Em reflexões posteriores, Zico afirma que a derrota de 1982 foi mais dolorosa, mas o pênalti de 1986 marcou sua carreira. Ele defende sua escolha de bater, considerando a confiança do técnico Telê Santana. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Zico era talvez a maior esperança do Brasil para ganhar a Copa do Mundo de 1986, no México, após a seleção deixar escapar o título de 1982, na Espanha. Havia outros ótimos jogadores, como Falcão, Júnior e Sócrates, mas o camisa 10 de Quintino ocupava o lugar de mais destaque na equipe, ainda que não estivesse na melhor forma, recuperando-se de uma grave contusão no joelho. A delegação tinha viajado para o México sem dois dos maiores craques daquele momento no país. Renato Gaúcho fora cortado por indisciplina, depois de uma noite de farra em Belo Horizonte. Leandro, que estava com o amigo na boemia, foi convocado, mas ficou tão arrasado com o corte de Renato que deixou a seleção esperando por ele na hora do embarque, renunciando à chance de ser campeão. Ídolo do Flamengo, Zico, mesmo com os problemas no joelho, nem cogitou renunciar. Havia perdido duas copas. Em 1978, na Argentina, o Brasil foi eliminado na semifinal por saldo de gols, sem perder nenhum jogo. "Campeão moral", vaticinou o treinador Claudio Coutinho. Em 1982, a seleção encantou o mundo na Espanha, mas sucumbiu diante da bem mais fraca seleção italiana, no jogo batizado de "tragédia do Sarriá", em referência ao estádio em Barcelona onde a partida aconteceu. Zico em lance do jogo contra Polônia na Copa de 1986 — Foto: Sebastião Marinho/Agência O GLOBO A seleção que foi ao México não faria frente à de 1982. Mesmo assim, as chances eram boas. Podia não ser campeã, mas tinha força para dificultar a conquista que a Argentina de Diego Maradona dava como certa. Tinha bons zagueiros (Branco, Edinho, Josimar e Oscar) e meio campo raçudo (Alemão, Falcão, Sócrates e Zico), além de ataque mais que respeitável (Careca, Casagrande e Müller). O time de Telê Santana estreou sem Zico, mas o camisa 10 entrava durante os jogos, pegando ritmo para chegar ao "mata mata". Na primeira fase, a seleção venceu Espanha, Argélia e Irlanda do Norte sem tomar gols. Nas oitavas de final, amassou a Polônia (4 a 0). Foi então, no dia 21 de junho de 1986, há 40 anos, que o Brasil chegou ao Estádio Jalisco, em Guadalajara, para enfrentar os Les Bleus. Foi, ironicamente, a melhor atuação da seleção naquele Mundial. Quando Careca marcou aos 17 minutos do primeiro tempo, com um balaço na entrada da área, parecia o início de um passeio. Mas Michel Platini empatou antes do intervalo. Zico entrou aos 28 minutos do segundo tempo e logo fez um lançamento genial para Branco, que foi derrubado pelo goleiro dentro da área. Pênalti. Mais tarde, os engenheiros de obras prontas diriam que Zico não deveria ter cobrado. Tinha acabado de entrar, estava frio, fora de forma. Mas a quem mais caberia o fardo? Um pênalti crucial como aquele exigia o melhor cobrador, que, afinal, treinava para isso. O camisa 10, porém, bateu muito mal, quase no meio do gol, deixando fácil para Joel Bats defender. A chance perdida frustrou um país inteiro. Zico cobra pênalti defendido por Joel Bats na Copa do México — Foto: Hipólito Pereira/Agência O GLOBO Com o empate no tempo regulamentar, a partida foi levada para a prorrogação de 30 minutos, que chegou ao fim sem mudanças no placar. Na disputa de pênaltis, Zico converteu o dele, mas Sócrates e Júlio Cesar perderam os seus, e a seleção brasileira se despediu do México nas quartas de final. O pênalti desperdiçado no segundo tempo marcou para sempre a vida de Zico. Ele tem lugar garantido em qualquer lista de melhores jogadores de todos os tempos, mas nenhum filme sobre o Galinho de Quintino pode deixar de reservar um espaço para aquele episódio. Desde então, o ex-jogador já falou uma porção de vezes sobre o assunto. Na volta da seleção ao Brasil, ele disse o seguinte: "Errei, ora. Todo mundo tem direito de errar um dia. Infelizmente, minha falha pode ter significado a desclassificação, mas é bom lembrar que não fui o único a perder pênalti no jogo. Quero esquecer um pouco a Copa do Mundo, descansar, e, depois, voltar ao Flamengo, pois a vida continua", afirmou o jogador, no Estádio do Maracanã, para onde o elenco foi levado após desembarcar no Aeroporto do Galeão. "O Brasil já perdeu outros Mundiais antes e o futebol continuou sendo a' paixão do brasileiro. Além disso, fomos desclassificados nos pênaltis, depois de 120 minutos de boa exibição, nos quais poderíamos ter vencido a partida contra a França e continuado na Copa". Em março de 2013, quando completou 60 anos, o ídolo eterno do Flamengo deu uma longa e definitiva resposta durante entrevista exclusiva ao Jornal O GLOBO: "A derrota para a Itália em 1982 doeu mais. Embora o pênalti perdido tenha marcado mais a minha carreira. A derrota foi de um time que tinha futebol para ser campeão. Dói mais. Num dia em que as coisas não funcionaram bem individualmente, fomos eliminados. O pênalti marcou. Quem não tem o que falar cita o lance. Eu deveria ter batido contra a Polônia, no jogo anterior, que estávamos vencendo. Se eu batesse e perdesse, talvez ficasse em dúvida contra a França. Mas quem batia antes? Era o Sócrates. E ele perdeu na disputa, depois. Se eu não bato, e outro perde, iam me chamar de covarde. Só o técnico poderia dar outra ordem, mas eu tinha a confiança do Telê. E eu estava treinado, com bom aproveitamento. Na disputa por pênaltis, fui bater de novo. E tem uma coisa: o Brasil não perdeu o jogo. Empatou e perdeu na disputa de pênaltis. E lá eu fiz o meu".