O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) realizou neste ano seu primeiro leilão de gado apreendido em uma área desmatada ilegalmente. O ato inédito busca fechar o ciclo da fiscalização contra um dos tipos mais comuns de crimes ambientais na Amazônia, que é a transformação da floresta em pasto.

O leilão, feito no dia 12 de maio, resultou na venda de 213 bovinos e duas mulas, com arrecadação de R$ 607,1 mil. O dinheiro não fica com o Ibama. Como a apreensão do rebanho é alvo de disputa judicial, o valor foi depositado em uma conta judicial e permanecerá bloqueado até uma decisão definitiva.

Segundo o Ibama, caberá à Justiça definir o destino dos recursos, que poderão ser usados para ressarcir despesas relacionadas à guarda dos animais ou ser incorporados ao Orçamento Geral da União.

Os animais eram criados em uma área de 185 hectares nas proximidades da rodovia PA-370, em Uruará, no Pará. O local desmatado tinha sido embargado pelo Ibama em 2022, para permitir a regeneração natural da vegetação. Mesmo com a proibição, a pecuária continuou no local, resultando em multas de mais de R$ 1 milhão e, depois, na apreensão do gado.

O leilão ocorreu de forma virtual, o que também representa uma mudança de estratégia. Uma das maiores dificuldades das operações de fiscalização é dar destino aos animais apreendidos. Em muitos casos, os rebanhos permaneciam durante anos sob a guarda dos próprios responsáveis pelas áreas, na condição de fiéis depositários, ou aguardavam definições judiciais.