A Câmara dos Deputados aprovou, em votação relâmpago nesta quinta-feira, a urgência do projeto que suspende por dois anos a aplicação de embargos às atividades de pequenos produtores rurais que descumprem leis ambientais.

O substitutivo à proposta apresentada no ano passado pelo deputado Lucio Mosquini (MDB-RO) havia sido aprovado no início de junho na Comissão de Meio Ambiente.

De acordo com o rito regular, o texto ainda precisaria ir à análise da Comissão de Constituição e Justiça da Casa antes de seguir para o plenário. Entretanto, o requerimento aprovado hoje com 305 votos favoráveis e 112 contrários dribla esse percurso. Houve uma abstenção.

A matéria em questão condiciona a aplicação de embargos e outras sanções à concessão de até 24 meses para regularização ambiental, o que coloca em xeque a eficácia dos instrumentos essenciais para interromper infrações e conter o dano ambiental.

Na avaliação de ambientalistas, o prazo prolongado permite que os danos continuem e reduz o caráter preventivo das sanções, enfraquecendo o poder de polícia do Ibama e a proteção da fauna e flora. Se aprovada, a medida também pode abrir brecha para que práticas ilegais graves, como o tráfico de fauna silvestre, ocorram sem punição imediata.