Poucas recomendações são tão repetidas no mercado financeiro quanto a afirmação de que "todo investidor deveria ter uma parte do patrimônio aplicada no exterior". E, em muitos casos, ela faz sentido. O problema é que a frase normalmente vem desacompanhada da pergunta mais importante: para quê?

Talvez por isso uma das dúvidas que mais recebo seja justamente esta: está na hora de investir em dólar?

A curiosidade é que a pergunta surge em qualquer cenário. Quando o dólar ultrapassou os R$ 6, muitos investidores queriam iniciar ou aumentar sua exposição à moeda americana. Agora que voltou para perto dos R$ 5, a dúvida continua exatamente a mesma. Isso sugere que a discussão está sendo conduzida da forma errada.

Antes de decidir se deve investir em dólar, o investidor deveria responder a perguntas muito mais importantes. Qual retorno sua carteira precisa gerar? Quanto risco está disposto a suportar? Qual horizonte de investimento? O objetivo é proteger patrimônio, diversificar riscos ou acessar oportunidades que não existem no Brasil?

Sem essas respostas, a escolha da moeda se transforma em um detalhe elevado à condição de estratégia.Existe ainda outro aspecto pouco discutido. Muitos investidores acreditam que só têm exposição ao dólar quando compram ativos no exterior. Na prática, boa parte deles já está mais exposta à moeda americana do que imagina.