Seria bom se a cotação futura do dólar fosse previsível. Facilitaria quem tivesse compromissos em moeda estrangeira, tanto para resgate de dívidas, quanto para pagamento de importações. E facilitaria o planejamento de viagens ao exterior.No entanto, projetar cotações da moeda estrangeira é exercício ingrato. São inúmeras as variáveis que interferem no fluxo de moeda estrangeira, muitas delas de ordem psicossocial, sobretudo num período de guerra, de quebra de confiança na política dos Estados Unidos, do novo tarifaço e dos trancos provocados aqui pela campanha eleitoral.O novo tarifaço de Trump pode produzir outro baque nas exportações, o que deve reduzir o volume da entrada de dólar no país Foto: Adobe StockAté o fim de maio, as cotações do dólar em reais caíram quase 12% em 12 meses. Mas, depois do anúncio do novo tarifaço, voltaram a dar pinotes. A valorização anterior do real tem um punhado de explicações. Aqui vão três:O excelente comportamento das exportações, graças ao bom desempenho do agronegócio e da disparada dos preços do petróleo; A perda de confiança no dólar, em consequência da política errática do presidente Trump;Os juros muito altos por aqui, fator que atraiu capitais para ganhar dinheiro no mole.PUBLICIDADEUm dólar mais barato em reais beneficia o governo Lula na medida em que deixa de encarecer o produto importado e, assim, tira alguma força da inflação. Em contrapartida, retira competitividade da indústria diante do produto importado, que chega mais barato.PublicidadeNão dá para apostar na recuperação do quadro positivo acima descrito. A Guerra do Irã pode chegar ao fim e, nesse caso, os preços do petróleo acabariam por deslizar, o que reduziria o faturamento em dólares com exportações. O novo tarifaço do presidente Trump também pode produzir outro baque nas exportações. Por essas razões, alguma queda do volume de entrada de moeda estrangeira pode acontecer.Segundo, se consolidar o favoritismo da candidatura Lula, reforça-se a expectativa de deterioração das contas públicas, situação que pode afugentar os investidores externos.E, terceiro, as lambanças do presidente Trump na condução da economia dos Estados Unidos e o impacto da guerra sobre as cotações dos combustíveis devem pressionar o custo de vida por lá. Nesse caso, o Fed, banco central dos Estados Unidos, será obrigado a voltar a puxar pelos juros. Assim, o maior rendimento das aplicações financeiras no mercado norte-americano tenderia a atrair mais recursos para os Estados Unidos e, assim, a refortalecer o dólar.Enfim, o atual nível de incertezas pode aumentar e agir sobre a cotação do dólar.Publicidade
Opinião | Eleições, guerra, tarifaço: como as incertezas podem agir sobre o dólar?
Inúmeras variáveis interferem no fluxo de moeda estrangeira, sobretudo em período de guerra, de quebra de confiança na política nos EUA e dos trancos provocados pela campanha eleitoral no Brasil
Cotação do real caiu 12% em 12 meses até maio, mas recuou após anúncio de novas tarifas de Trump; guerra, política brasileira e Fed multiplicam pressões sobre câmbio. Para tech managers com operações internacionais, incertezas macroeconômicas (tarifas USA, decisões Fed, eleições Brasil) elevam custos de hedge valutário e impõem risco a planejamento de investimentos cross-border.












