Aumenta preocupação com o risco fiscal brasileiro diante da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais Notas de dólar — Foto: Dimas Ardian/Bloomberg O dólar à vista exibiu valorização frente ao real na sessão desta terça-feira, refletindo tanto a cautela dos agentes financeiros em véspera de decisão de juros pelo Federal Reserve (Fed), como também uma maior preocupação com o risco fiscal brasileiro diante da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais. Além disso, a queda nos preços do petróleo podem ter tirado o suporte que o câmbio recebia de termos de troca mais robustos. Por ora, operadores entendem que a moeda brasileira seguirá se beneficiando da exportação de petróleo, mas não mais como uma âncora que protegia a divisa da volatilidade global. Encerradas as negociações, o dólar à vista fechou negociado em alta de 0,39%, a R$ 5,0862, depois de ter encostado na máxima de R$ 5,1028 e batido na mínima de R$ 5,0490. Já o euro comercial avançou 0,59%, a R$ 5,9040. Perto das 17h10, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,06%, aos 99,570 pontos. No começo da sessão de hoje, o dólar chegou a cair, com o real apresentando um dos melhores desempenhos entre as 33 moedas mais líquidas. Já nas primeiras horas de negociação, porém, houve uma reversão na dinâmica do câmbio brasileiro, com o real passando a apresentar um dos piores desempenhos do dia. O operador de câmbio de uma gestora diz que o mercado brasileiro pode ter sido utilizado como espaço para busca por “hedge” (proteção), por meio da compra de dólar, antes de um evento global relevante, que é a decisão do Fed de amanhã. “Se for isso mesmo, passado o episódio, talvez a gente veja um pouco do movimento voltar”, diz o profissional, na condição de anonimato. Um profissional de tesouraria diz que, além do petróleo mais fraco estar tirando suporte do câmbio, as pesquisas eleitorais seguem indicando maior probabilidade sobre a esquerda à frente na disputa presidencial deste ano, “o que aumenta a incerteza em torno da política fiscal”, diz. “O mercado também tem discutido muito sobre o espaço real do Banco Central em seguir cortando juros, e a curva parece precificar que isso seja um erro”, diz. O banco ING é outro que aponta o avanço de Lula nas pesquisas eleitorais como um peso sobre o real. “No entanto, com rendimentos implícitos em torno de 13%, o real continua sendo uma moeda cara para se vender [apostar contra]. Em última instância, os juros elevados, a condição do Brasil como exportador de energia e, possivelmente, uma safra robusta favorecida pelo El Niño devem continuar dando sustentação ao real.” Sobre a guerra e o enfraquecimento do petróleo, o J.P. Morgan diz que suas posições via opções no câmbio brasileiro, com vencimento em 26 de junho, é a última expressão de alta do banco em um exportador da commodity. “Mas acreditamos que o sentimento positivo em relação ao risco provavelmente dominará a ação do preço do real no curto prazo, enquanto riscos idiossincráticos nos levaram a diminuir a exposição geral à moeda brasileira.”