Notícias de sanções por ligações com o PCC ampliaram a cautela dos investidores Dólar à vista sobe hoje e real se descola de pares com sanções dos EUA a empresas e cidadãos do Brasil — Foto: Scott Eells/Bloomberg O dólar comercial opera em alta no pregão desta quarta-feira (1) e volta à faixa dos R$ 5,20. Os investidores globais já vinham se mostrando cautelosos com a participação do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Kevin Warsh, em um fórum de política monetária em Sintra, o que dava força à moeda americana no início do dia. No entanto, alguns sinais foram interpretados pelos mercados como mais ‘dovish' (inclinados ao afrouxamento monetário), o que trouxe algum alívio à divisa. No início da tarde, no entanto, notícias de que os EUA sancionaram cidadãos e empresas brasileiras por ligações com o PCC ampliaram a cautela dos investidores e o real passou a cair mais do que os pares. Perto das 13h, o dólar comercial operava em alta de 0,67%, negociado a R$ 5,1969, após ter alcançado os R$ 5,2169 nas máximas do dia. O dólar futuro para agosto subia 0,68%, a R$ 5,2355, e o euro comercial avançava 0,30%, a R$ 5,9177. No mesmo horário descrito acima, o índice DXY, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de seis divisas principais, subia 0,20%, a 101,39 pontos. O dólar também subia 0,16% contra o peso mexicano; 0,16% contra o rand sul-africano; e 0,46% contra o peso chileno. No início do dia, a atenção dos agentes estava voltada para o Fórum de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) em Sintra, Portugal. Como Warsh deu poucas pistas sobre o futuro da política monetária americana na última decisão do Fed, em um esforço de reduzir o escopo de comunicação do banco central, agentes buscavam avaliar o tom do novo chairman, após sua aparição anterior ter sido interpretada como ‘hawkish’ (inclinada ao aperto monetário) pelos mercados. Apesar disso, Warsh sinalizou que “os riscos à inflação haviam diminuído” nas últimas semanas. A resposta ocorreu em um momento em que o dirigente fazia menção à recente queda nas expectativas de inflação e nos rendimentos dos Treasuries observados desde que assumiu a liderança do Fed. A mensagem foi interpretada como mais “dovish” e promoveu um alívio global, fazendo o DXY se afastar das máximas do dia e empurrando para baixo os juros dos títulos públicos americanos. Há pouco, a taxa da T-note de 2 anos caía de 4,195% para 4,158%. No Brasil, o dólar acompanhou o movimento externo, mas por um período curto de tempo. Os EUA anunciaram sanções a empresas e cidadãos brasileiros ligados ao PCC, o que trouxe uma nova rodada de piora aos ativos locais, fazendo o real se descolar dos pares. No mesmo horário descrito acima, o real exibia o pior desempenho dentre as 33 moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. Em caráter reservado, agentes notam que a notícia amplia a sensação de mal-estar que vem ganhando corpo nos mercados domésticos nas últimas semanas.
Dólar à vista sobe hoje e real se descola de pares com sanções dos EUA a empresas e cidadãos do Brasil
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