Visão de desdolarização é compartilhada por fundos de pensão públicos e fundos soberanos, afirmou um relatório publicado na terça-feira pelo Official Monetary and Financial Institutions Forum (OMFIF) Notas de dólar — Foto: Toru Hanai/Bloomberg Pela primeira vez em três anos, bancos centrais de todo o mundo planejam reduzir sua exposição ao dólar americano no longo prazo, segundo um "think tank" (instituto de pesquisa e análise) sediado no Reino Unido. Essa visão de desdolarização é compartilhada por fundos de pensão públicos e fundos soberanos, afirmou um relatório publicado na terça-feira pelo Official Monetary and Financial Institutions Forum (OMFIF). Todos eles veem o euro e o yuan como alternativas atraentes à moeda americana, "com economias avançadas favorecendo o primeiro e mercados emergentes concentrando-se no segundo". "A busca por diversificação é agora uma característica central da gestão de reservas", escreveram membros da equipe do OMFIF, incluindo Andrea Correa, Yara Aziz, Mariam Khan e Conor Perry. As taxas de juros globais continuam sendo o principal fator de curto prazo nas decisões de investimento, mas riscos geopolíticos estão moldando cada vez mais as estratégias de gestão de reservas a longo prazo, observaram os pesquisadores. Desde o ano passado, esses riscos expandiram-se para além das tensões comerciais, passando a incluir a guerra no Oriente Médio, o que levou os gestores a promoverem novas alterações em suas carteiras de ativos. Nos últimos anos, a participação do dólar — em torno de 57% no quarto trimestre de 2025 — manteve-se praticamente estável, segundo dados compilados trimestralmente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, sua fatia nas reservas cambiais globais está muito abaixo dos picos históricos superiores a 85% observados na década de 1970, mostram os dados. Segundo o relatório do OMFIF, os bancos centrais preveem que, em dez anos, a carteira média de reservas será composta por 52% de ativos em dólar, 23% em euro e 5% em yuan, entre outras moedas. O relatório apresentou os resultados de uma pesquisa realizada pelo OMFIF entre março e maio com 90 instituições que, juntas, administram mais de US$ 10 trilhões em ativos de reserva. Embora bancos centrais, fundos de pensão públicos e fundos soberanos reconheçam cada vez mais o atrativo do euro e do yuan, ambos apresentam questões fundamentais que os impedem de alcançar o dólar como moeda de reserva, apontou o relatório. É por isso que 79% dos gestores de reservas afirmaram que "o sistema monetário global está em transição para uma estrutura multipolar, levando a uma maior fragmentação e incerteza em relação ao sistema monetário internacional". Isso também se traduziu em demanda por ouro, descrito pela OMFIF como o "beneficiário mais claro" de tais riscos. O metal precioso "lidera as intenções de compra de curto prazo e passou a ocupar o centro da estratégia de reservas como proteção contra riscos geopolíticos e preocupações com o sistema monetário internacional", afirmou o OMFIF, destacando que 82% dos bancos centrais pesquisados ​​detêm ouro físico, um aumento em relação aos 71% do ano passado. Quanto ao euro, 55% dos entrevistados pela OMFIF disseram que a emissão de dívida "permanente e em grande escala pela União Europeia" aumentaria sua disposição em manter ativos de reserva denominados na moeda. Paralelamente, eles ponderam o subdesenvolvimento da estrutura de mercado da China frente aos benefícios da diversificação para o yuan. "O dólar continua a dominar as carteiras e ainda é visto como inigualável em termos de segurança e liquidez. No entanto, os bancos centrais esperam, cada vez mais, reduzir as alocações em dólar tanto no curto quanto no longo prazo, especialmente nos mercados emergentes", acrescentou a equipe da OMFIF.