Uma análise feita pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) mostra que os casos de violência contra crianças e adolescentes registrados pelos serviços de saúde mais que dobraram de 2020 a 2025.
O levantamento foi realizado com base nos números do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), banco de dados do Ministério da Saúde que concentra os registros de doenças e violências documentadas pelos sistemas de saúde.
Segundo o mapeamento, em 2020 foram notificadas 73.635 ocorrências envolvendo vítimas de 0 a 18 anos. Já em 2025, esse número saltou para 165.413, um aumento de 125%.
O crescimento ocorreu em todas as regiões brasileiras, sendo que o Nordeste apresentou a maior variação percentual, com alta de 1.200%, seguido de Norte (809%), Centro-Oeste (508%), Sul (421%) e Sudeste (221%).
Para o presidente da SPDM, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, parte desse aumento pode estar associado aos avanços na capacidade de identificação dos casos pelos serviços de saúde e pela rede de proteção. No entanto, o volume alto de notificações mostra, na visão dele, "que a violência contra crianças e adolescentes permanece como um problema grave e persistente no país" e exige ações de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.






