Estudo é feito com base em dados de 2024 do Ministério da Saúde Abuso sexual infantil: Saiba identificar os sinais em crianças — Foto: Pixabay RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/05/2026 - 22:01 Atlas da Violência 2026: Cresce Violência Sexual Infantil no Brasil O Atlas da Violência 2026 revela um alarmante crescimento nas notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Baseado em dados de 2024, o estudo do Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca um aumento expressivo em todas as faixas etárias, especialmente entre 0 e 14 anos. As meninas são as principais vítimas, representando 86,9% dos casos. O relatório também critica a influência negativa de comunidades digitais que reforçam visões machistas, contribuindo para a normalização de comportamentos abusivos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Divulgado nesta terça-feira, o Atlas da Violência de 2026 chama a atenção para o crescimento das notificações de violência sexual, que dispararam em uma década. O aumento nos números se dá em todas as faixas etárias, de 0 a 19 anos. O estudo é feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em dados do Ministério da Saúde do ano de 2024. Na primeira infância, período que vai de 0 a 4 anos, os registrous de violência sexual cresceram mais de quatro vezes em uma década, indo de 1.671 em 2014 para 7.845 em 2024. Na faixa de 5 a 14 anos, o aumento é de 341%, o que corresponde a um crescimento de 6.594 para 29.135 notificações. Segundo o Atlas da Violência, trata-se do grupo mais vulnerável. O crescimento é menor na última faixa, que vai dos 15 a 19 anos. Em 2014 foram registrados 1.632 ocorrências do tipo, e, em 2024, 6.869. — Esse crescimento está aumentando pelo fato das subnotificações estarem diminuindo. Há várias explicações, como a conscientização. Por outro lado, o sistema de saúde tem melhorado nos últimos anos, com treinamento dos servidores. Quando uma criança chega com vestígios de violência sexual, o servidor tem de fazer a notificações, indpendente da família ter dado queixa — diz Daniel Cerqueira, do Ipea, um dos autores do levantamento. No total, 86,9% das vítimas são meninas, contra apenas 13,1% de meninos. No entendimento dos pesquisadores do Atlas, "esse tipo de violência está diretamente associado a assimetrias de poder, controle do corpo feminino e normas de gênero". Ao tratar do tema, o Atlas da Violência destaca que a força do movimento masculino "Red Pill" em comunidades digitais tem efeito negativo ao difundir "visões que naturalizam a dominação masculina, deslegitimam o consentimento feminino e reforçam a objetificação das mulheres". "Embora esses discursos não expliquem isoladamente os dados, eles podem atuar como fatores de reforço cultural, especialmente entre adolescentes, contribuindo para a normalização de comportamentos coercitivos ou abusivos", destaca o Atlas da Violência.