Pesquisa identificou mais de 180 mil denúncias em 2025 e revela que a violência segue concentrada no ambiente familiar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Produzido pela universidade, Mapa da Violência contra a Pessoa Idosa no Brasil foi atualizado — Foto: Divulgação/UFF RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 18:08 Estudo da UFF: Filhos são principais agressores de idosos no Brasil Estudo da UFF revela que filhos lideram casos de violência contra idosos no Brasil, com mais de 180 mil denúncias em 2025. A violência ocorre principalmente no ambiente familiar, com 55% dos casos atribuídos a filhos e filhas. As mulheres são as mais afetadas, e a maioria dos casos está concentrada no Sudeste. Subnotificações ainda são uma preocupação. Campanhas como o Junho Violeta buscam aumentar a conscientização e proteção aos idosos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os próprios filhos continuam sendo os principais responsáveis pelos casos de violência contra pessoas idosas no Brasil. É o que mostra a atualização do Mapa da Violência contra a Pessoa Idosa no Brasil, divulgada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) na semana do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho. De acordo com o levantamento, 55% das denúncias registradas em 2025 apontam filhos ou filhas como autores das agressões. Ao todo, foram contabilizadas 180.004 denúncias este ano, número superior ao registrado em 2024, quando houve mais de 179 mil notificações. A pesquisa, coordenada pela professora de Enfermagem da UFF Alessandra Camacho, analisou diferentes formas de violência praticadas contra idosos, como negligência, abandono, violência psicológica, agressões físicas e abuso financeiro ou patrimonial. — O dado mais alarmante é que a maior parte das agressões continua ocorrendo na casa da própria vítima e sendo praticada pelos próprios filhos. O lar, que deveria ser um espaço de proteção, acaba se tornando um lugar de medo para muitos idosos — afirma Alessandra. As mulheres representam a maior parcela das vítimas, correspondendo a 63,44% dos registros. Já a faixa etária mais afetada é a de idosos com 80 anos ou mais, responsável por 24,01% das denúncias. O estudo mostra ainda que o Sudeste concentrou mais da metade dos casos notificados no país em 2025, com 51,67% dos registros. Em seguida aparecem o Nordeste, com 20,67%; e o Sul, com 14,49%. Um dos dados que chamaram a atenção dos pesquisadores foi a mudança no perfil dos agressores. Pela primeira vez na série analisada, as filhas aparecem em número ligeiramente superior aos filhos entre os autores das agressões denunciadas. Apesar do volume expressivo de notificações, os pesquisadores alertam que os números ainda podem estar longe da realidade, devido à subnotificação. Casos de negligência, violência psicológica e abuso financeiro continuam entre os mais recorrentes. Conscientização Os dados ganham relevância especial em Niterói, uma das cidades com maior proporção de idosos do país. Segundo o Censo do IBGE, 23,8% da população do município têm 60 anos ou mais, o equivalente a mais de 114 mil moradores. Dentro da programação do Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa, a prefeitura promoveu semana passada um evento no Caminho Niemeyer para discutir estratégias de proteção e fortalecimento da rede de atendimento. No encontro, especialistas também alertaram para sinais que podem indicar situações de abuso, como isolamento repentino, medo excessivo de familiares ou cuidadores, falta de cuidados básicos, lesões sem explicação aparente e movimentações financeiras incomuns. — Em caso de suspeita ou confirmação de violência, denuncie pelos canais competentes. Proteger a pessoa idosa é um dever de todos nós — afirmou durante o evento o secretário municipal da Pessoa Idosa e Envelhecimento Saudável de Niterói, José Antonio Toro Fernandez, o Zaf.