A melhor forma de criticar um ministro do STF é deixá-lo falar. E como fala Gilmar Mendes. Nos últimos dois meses, foram concedidas ao menos 12 entrevistas.

O motivo da turnê midiática seria melhorar a imagem da corte, mas a performance do juiz em modo celebridade foi desastrosa.

Na recente entrevista ao Roda Viva, Gilmar, como um rei medieval, resolveu matar o mensageiro. Disse que pesquisas de opinião atestaram a queda na popularidade do Supremo após o tribunal ser massacrado nos jornais.

Ora, é função precípua da imprensa, crucial para democracias liberais, escrutinar o poder público e seus agentes. Portanto, o ocaso da confiança dos brasileiros no STF se deve a abusos cometidos pela própria corte, como o famigerado inquérito das fake news, e às relações questionáveis de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o Banco Master —abusos e relações que a imprensa tem o dever de publicizar.

Sobre o contrato milionário da esposa de Moraes com o Master, Gilmar disse que não comentaria porque o caso está sendo investigado. Ué, por quem? Porque a PGR, que tem a atribuição de investigar ministros do Supremo, está vergonhosamente inerte.