Imagina se em vez de legalizarem o jogo, o Congresso tivesse legalizado drogas. Todas. E elas fossem a principal patrocinadora da Copa do Mundo.

"E começa a partida! Partida que fica mais animada com a Copacoca! A cocaína da torcida brasileira! Tá vendo o QR code aí no canto da tela? É só escanear e correr pro abraço, em meia hora a Copacoca tá aí na sua casa! Cheirou, é gooool! O Brasil toca a bola no campo de defesa. Casimiro. Pra Vini Jr. Vini é craaaaaaaaque! É craaaaaaaaque! Será que ele vai ser o craque da partida? Será? Será? Entra agora no nosso App, diz quem você acha que vai ser o craque da partida e você concorre a três pedras de crack e um cachimbo oficial da Seleção Brasileira! Brasil no ataque. Vini volta com Casimiro. Passa pra Neymar. Neymar aí que conseguiu se recuperar a tempo da Copa, Neymar herói, herói, herói, e herói chama o que? Herói chama heroína! Foi gol? Injetou! Viajou! Lembrando que é só pra maiores de dezoito anos e que pra mais emoção, injete com moderação!".

Não sei se o locutor dormiria melhor por dizer a última frase. Eu não. Que hipocrisia enorme é vender um vício e pedir moderação. Se a loteria é a maconha, as bets são a cocaína. Ninguém tem overdose de maconha, assim como não se vai a falência jogando na Mega-Sena. Bet é droga pesada. Já ouvi mais de uma história de pessoas se arruinando por apostar em lateral, gol, escanteio. É criança pegando o cartão dos pais, marido apostando com o dinheiro da esposa. A prima da minha diarista economizou 15 mil reais ao longo da vida. Fazendo faxina. Cozinhando. Lavando roupa. O marido gastou tudo, sem que ela soubesse.