A onda de calor precoce e intensa que varre a Europa está testando quais sistemas ainda conseguem funcionar —e impondo perguntas difíceis sobre suportar temperaturas mais extremas ou investir bilhões na adaptação a um futuro mais quente.

O continente que mais aquece no mundo não está se aproximando de um único ponto de inflexão climática, dizem os cientistas. Em vez disso, a Europa está cruzando uma cascata de limiares menores de uma só vez: as temperaturas nas quais salas de aula fecham, hospitais ficam sobrecarregados, redes elétricas falham, solos agrícolas secam e rios ficam quentes demais para resfriar reatores nucleares.

As temperaturas na Europa subiram cerca de 0,56°C por década nos últimos 30 anos, mais que o dobro da média global. Diante desse cenário de aquecimento constante, padrões climáticos comuns, como uma crista de alta pressão de movimento lento, podem se intensificar em uma cúpula de calor mortal que pesquisadores afirmam ser provavelmente a mais severa já registrada.

É claro que grandes áreas do mundo experimentam climas ainda mais quentes, inclusive em países desenvolvidos. Mas a infraestrutura da Europa, grande parte dela construída há séculos, não foi feita para resistir às ondas de calor modernas.