Famílias passam a segunda noite ao relento após os terremotos que deixaram milhares de desabrigados; alguns moradores aguardam inspeções para saber se podem voltar para casa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas desalojadas de suas casas reúnem-se em um estádio de beisebol em La Guaira, Venezuela, em 25 de junho de 2026 — Foto: Fabiola Ferrero / The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 17:56 Venezuelanos dormem ao relento após terremotos devastadores e enfrentam crise humanitária. Famílias venezuelanas enfrentam uma segunda noite ao relento após terremotos devastarem a região, destruindo edifícios e deixando milhares de desabrigados. Muitos optam por dormir em praças, carros e abrigos improvisados, temendo réplicas. O governo promete auxílio, mas a ajuda é limitada, enquanto cidadãos se mobilizam para fornecer doações. A crise econômica e a corrupção agravam o impacto da tragédia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Sem ter para onde ir, venezuelanos montaram barracas em praças públicas e às margens de rodovias movimentadas. Famílias se acomodaram sobre colchões e cobertores finos, espalhadas por gramados e bancos de concreto. Outras recorreram a estacionamentos para passar a noite dentro de seus carros. Segundo autoridades do país, muitos venezuelanos permaneceram ao relento pela segunda noite consecutiva após os terremotos registrados na quarta-feira derrubarem pelo menos 250 edifícios e deixarem quase 3 mil famílias desabrigadas. — Vamos ficar aqui. É mais seguro, porque houve muitas réplicas — diz Aliria Álvarez, de 61 anos, sentada na calçada em frente ao seu prédio em Caracas, a capital, na noite de quinta-feira. Ela estava acompanhada de cinco parentes e uma vizinha, todos com medo de dormir em seus apartamentos após agentes da defesa civil informarem que os imóveis não eram seguros até que passassem por inspeções para verificar possíveis danos estruturais. Sentados em cadeiras de plástico, ao lado de uma barraca improvisada, eles se preparavam para enfrentar mais uma noite ao ar livre, embora o sono fosse difícil de encontrar. Enquanto equipes de resgate lutam para retirar pessoas ainda presas sob os escombros deixados pelos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, autoridades venezuelanas enfrentam o desafio de abrigar aqueles que perderam suas casas repentinamente e tranquilizar moradores preocupados com a segurança de seus imóveis. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na quinta-feira que o governo disponibilizará abrigos temporários e hotéis para pessoas cujas residências foram destruídas ou sofreram danos graves, embora não tenha ficado claro quantas pessoas serão atendidas. A prefeita de Caracas, Carmen Meléndez, também anunciou a abertura de pelo menos quatro abrigos emergenciais instalados em quadras de basquete e estádios. Um campo de beisebol em La Guaira, cidade costeira do norte do país que foi a mais atingida pelos terremotos, recebeu dezenas de famílias desalojadas. No entanto, quando um fotógrafo do New York Times visitou o local na tarde de quinta-feira, havia poucos sinais da presença do governo. A maior parte das doações destinadas aos desabrigados estava sendo entregue por cidadãos que chegavam de bicicleta ou caminhão. Arsenia Beatriz Mayora, de 70 anos, buscou abrigo no campo esportivo junto com outros dez familiares que conseguiram escapar por pouco antes que sua casa desabasse. — Ficou completamente destruída. Tudo o que restou foi a fachada — afirma. A família Mayora, cuja casa foi destruída pelos terremotos de quarta-feira, está sentada sob uma tenda em um estádio de beisebol em La Guaira, Venezuela, em 25 de junho de 2026 — Foto: Fabiola Ferrero / The New York Times Yudith Granado, de 51 anos, optou por dormir em um colchão do lado de fora de seu prédio com o marido e a filha na quinta-feira. A família temia entrar no apartamento, localizado no térreo, onde surgiram rachaduras na porta de entrada e em uma das paredes. Eles só retornaram rapidamente ao imóvel para tomar banho. — Conseguimos tomar banho, mas com medo e muito rapidamente — conta. Granado disse ter mostrado vídeos dos danos a dois agentes da defesa civil, que afirmaram não poder ajudá-la naquele momento e orientaram a família a aguardar uma inspeção dos bombeiros. — Estamos aqui esperando uma resposta — diz. Carlos David Carrasco, professor universitário, percorreu quatro praças de Caracas na noite de quinta-feira e encontrou mais de 100 famílias reunidas para passar a noite, incluindo gestantes, crianças, idosos e animais de estimação. Carrasco, de 33 anos, afirmou ter publicado vídeos dos acampamentos improvisados nas redes sociais para chamar a atenção para a situação. — Estamos entrando no terceiro dia disso tudo, e a necessidade só vai aumentar — ressalta Carrasco ao New York Times em uma mensagem de voz. — Está claro que o governo não tem capacidade para lidar com isso neste momento.