População está recorrendo às redes sociais e postando avisos das pessoas sobre as quais não tiveram mais notícias desde que os tremores abalaram o país, deixando 164 mortos e quase 1.000 feridos Uma mulher herida caminhou por La Guaira, Venezuela, um dia depois que um terremoto atingiu a região, em 25 de junho de 2026 — Foto: AP/Pedro Mattey Familiares dentro e fora da Venezuela estão desesperados atrás de informações sobre parentes desaparecidos após os terremotos que atingiram Caracas e os arredores na noite de quarta-feira. Muitos deles estão recorrendo às redes sociais e postando avisos das pessoas sobre as quais não tiveram mais notícias desde que os tremores abalaram o país, deixando 164 mortos e quase 1.000 feridos até o momento, segundo os dados mais recentes divulgados pelo governo. Alguns estão compartilhando fotografias de listas de nomes escritas à mão, em meio às dificuldades do país de encontrar sobreviventes devido à escassez de recursos agravada pela crise econômica enfrentada pela Venezuela há vários anos. Dayana Delgado, mãe de três filhos e moradora de La Gaira, uma das áreas mais atingidas, disse à Associated Press estar desesperada porque seu filho de 8 anos está desaparecido. "Queria saber onde está meu menino, se está preso sob os escombros ou em algum abrigo", afirmou. Ela questionou onde está o maquinário pesado prometido pelas autoridades e disse que são os próprios moradores que estão removendo os escombros. Um site compartilhado por líderes da oposição ao governo de Delcy Rodríguez, criado após os terremotos, mostram que mais 26 mil pessoas estão desaparecidas. Outras 1.328 foram encontradas pelos familiares. A busca por informações nas redes sociais é agravada pelas restrições impostas pelo governo, ainda sob a gestão de Nicolás Maduro, deposto em janeiro deste ano em uma ação militar dos Estados Unidos. Em agosto de 2024, Maduro determinou o bloqueio do X e de páginas de veículos de comunicação que acusava de tentar desacreditar seu governo. Alguns moradores relataram que o acesso ao X, que só era possível até então com o uso de VPNs, havia sido restabelecido, mas o governo ainda não informou oficialmente sobre o fim da restrição. Para tentar compensar a dificuldade de acesso às informações, o governo está reaproveitando o aplicativo VenApp, que anteriormente foi usado como um instrumento de repressão do governo contra opositores, como uma ferramenta de busca e resgate. Moradores e equipes de resgate vasculham os escombros de um prédio que desabou durante os terremotos que atingiram Caracas, Venezuela, na quinta-feira, 25 de junho de 2026 — Foto: AP/Ariana Cubillos Delcy pediu à população que utilizasse o VenApp para informar sobre pessoas desaparecidas e danos à infraestrutura. Além disso, a empresa estatal de telecomunicações CANTV anunciou que os serviços de internet, telefonia e televisão seriam gratuitos pelas próximas 48 horas para facilitar as comunicações. Em uma nota, a missão da ONU para os direitos humanos na Venezuela pediu ao governo para "restabelecer plenamente o acesso às redes sociais e a todos os meios de comunicação". "O acesso oportuno a informações confiáveis e aos canais de comunicação será fundamental para proteger a vida, a segurança e o bem-estar da população", diz o comunicado. Centenas de pessoas amanheceram nesta quinta-feira nas proximidades de prédios que haviam sido evacuados. María Cristina Díaz, auxiliar de limpeza de 41 anos, contou que não conseguiu dormir durante toda a noite e se abrigou na Praça Candelaria, no centro de Caracas, por ser um dos poucos locais abertos próximos de sua casa. As cidades venezuelanas não dispõem de pontos de encontro sinalizados para onde a população possa se dirigir após um terremoto. "Estávamos com medo de que os prédios desabassem sobre nós. Passamos frio. Minha mãe, minha filha e eu não conseguimos dormir, mas não queríamos passar a noite sozinhas em casa", disse Díaz à Associated Press. Outras pessoas passaram a noite em veículos estacionados nas ruas. As autoridades pediram que a população não retorne a imóveis com danos estruturais
Famílias buscam por sobreviventes após terremotos simultâneos na Venezuela
População está recorrendo às redes sociais e postando avisos das pessoas sobre as quais não tiveram mais notícias desde que os tremores abalaram o país, deixando 164 mortos e quase 1.000 feridos










