"Antonio, Antonio, é a sua mãe. Antonio, é a sua mãe, estou aqui", grita desesperada uma mulher diante dos escombros de uma torre residencial de pelo menos 22 andares em Caracas, que desabou por completo durante os fortes terremotos que abalaram a Venezuela nesta quarta-feira (24).

Os vizinhos observam, impotentes, os escombros do prédio. Alguns sobem nas lajes enormes de concreto, na tentativa de perceber algum ruído ou pedido de socorro. Mas só há silêncio.

Um policial os acompanha, aguardando a chegada das equipes de resgate. "Precisamos de lanternas", pede, ao cair da noite, um dos voluntários improvisados. "Tania, Tania", outro grito ressoa em frente àquela torre, que fazia parte do complexo residencial Petunia, no bairro de Los Palos Grandes, uma área de classe média de Caracas, onde abundam restaurantes e cafés.

Por volta das 18h no horário local, a Venezuela foi abalada por dois fortes terremotos quase consecutivos, de magnitude 7,2 e 7,5. Os venezuelanos correram imediatamente para as ruas e muitos demoraram a voltar para suas casas e escritórios, com medo das réplicas —foram ao menos 20, segundo a líder do país, Delcy Rodríguez.

Delcy declarou estado de emergência e expressou suas condolências às vítimas. Os terremotos foram sentidos com força desde o estado de Trujillo, nos Andes, até La Guaira. Autoridades falam em mortos e feridos, mas os danos ainda não foram quantificados e não há um número oficial.