Montadora enfrenta tarifas impostas pelos EUA, persistente fraqueza do mercado chinês e aumento da concorrência na Europa da BYD e da Stellantis 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Planos, apresentados pelo CEO durante reunião do conselho no início desta semana, incluem dobrar o número de cortes de pessoal para até 100 mil funcionários — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 10:26 Volkswagen Avalia Cortes de 100 Mil Empregos e Fechamento de Fábricas A Volkswagen está considerando cortar até 100 mil empregos e fechar fábricas para aumentar sua competitividade, conforme reportado pela Manager Magazin. A montadora enfrenta desafios como tarifas dos EUA, fraqueza no mercado chinês e concorrência da BYD e Stellantis na Europa. O CEO Oliver Blume busca enxugar a estrutura da empresa, que atualmente emprega cerca de 657 mil pessoas. As medidas incluem reduzir custos em € 11 bilhões até o final da década e fechar quatro fábricas na Alemanha. A proposta enfrenta resistência de sindicatos e políticos, que têm poder de veto no conselho de supervisão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Volkswagen está avaliando cortar dezenas de milhares de empregos e poderá fechar fábricas como parte de um esforço do diretor-presidente (CEO), Oliver Blume, para tornar a maior montadora da Europa mais competitiva, informou a revista Manager Magazin. Os planos, apresentados pelo CEO durante uma reunião do Conselho de Administração no início desta semana, incluem dobrar o número de cortes de pessoal para até 100 mil funcionários, segundo reportagem publicada pela Manager Magazin nesta sexta-feira, citando pessoas familiarizadas com o assunto. Em março, a Volkswagen havia anunciado um corte de 50.000 postos de trabalho na Alemanha até 2030. A empresa, controladora das marcas Porsche e Audi, emprega atualmente cerca de 657 mil pessoas. Após a reportagem, as ações da Volkswagen chegaram a subir 1,2% em Frankfurt. Ainda assim, os papéis da montadora acumulam queda de cerca de 25% neste ano. Blume vem tentando enxugar a estrutura da Volkswagen enquanto a montadora enfrenta as tarifas impostas pelos Estados Unidos, a persistente fraqueza do mercado chinês e o aumento da concorrência na Europa por parte de rivais como a BYD e a Stellantis. Sua nova estratégia será apresentada ao conselho de supervisão no próximo mês e provavelmente marcará o início de um processo que poderá resultar em meses de negociações tensas. Na Volkswagen, os processos de reestruturação frequentemente acabam sendo suavizados por líderes sindicais e políticos estaduais, que juntos detêm uma maioria com poder de veto no órgão de supervisão da empresa. Os esforços da Volkswagen para enxugar sua estrutura refletem as dificuldades mais amplas enfrentadas pela indústria alemã. O Mercedes-Benz pretende discutir cortes de custos mais profundos com os representantes dos trabalhadores, enquanto a BMW, no início deste mês, emitiu um forte alerta sobre seus lucros, provocando uma queda acentuada no preço de suas ações. Oliver Blume, CEO da Volkswagen, vem tentando enxugar a estrutura da maior montadora da Europa — Foto: Bloomberg O novo plano de Blume prevê reduzir os custos administrativos gerais em € 11 bilhões (US$ 12,5 bilhões) até o fim desta década, além de fechar quatro fábricas na Alemanha no médio prazo, informou a revista. As unidades que poderão ser fechadas incluem uma fábrica da Audi em Neckarsulm, além de plantas da Volkswagen em Hanover, Zwickau e Emden. Segundo a reportagem, Blume também avalia separar as fábricas da divisão de componentes e, sobretudo, a própria marca Volkswagen, como forma de tornar o grupo mais enxuto. A marca principal da companhia enfrenta há muito tempo dificuldades para alcançar níveis satisfatórios de rentabilidade. "A Volkswagen precisa passar por uma transformação profunda", afirmou um porta-voz da empresa, recusando-se a comentar os detalhes da reportagem da Manager Magazin. Segundo ele, o conselho executivo "vem trabalhando intensamente nos últimos meses em um plano voltado para o futuro para reposicionar a empresa". O CEO já obteve alguns avanços, incluindo a venda de uma participação de 51% na divisão de motores marítimos Everllence, em uma operação destinada a reforçar o caixa da empresa. Além disso, cerca de 28 mil funcionários já concordaram em deixar a Volkswagen, como parte de um plano já anunciado para reduzir o quadro de pessoal do grupo em 50 mil trabalhadores até 2030. A empresa também reduziu sua capacidade anual de produção de 12 milhões de veículos para um patamar considerado mais realista, de 9 milhões. Unidades que poderão ser fechadas incluem uma fábrica da Audi em Neckarsulm, além de plantas da Volkswagen em Hanover, Zwickau e Emden — Foto: Bloomberg Os representantes dos trabalhadores reagiram rapidamente aos novos planos. "Eles causam insegurança entre nossa força de trabalho e nas regiões onde atuamos", afirmaram, em comunicado conjunto, o conselho de trabalhadores da empresa e o sindicato IG Metall. "Se esses planos forem levados adiante, vamos nos opor a eles com toda a nossa força." Implementar cortes de empregos na Volkswagen é uma tarefa difícil. Os representantes dos trabalhadores ocupam metade das cadeiras no conselho de supervisão da montadora, enquanto o estado alemão da Baixa Saxônia — que costuma apoiar os sindicatos — detém outras duas cadeiras. — A Volkswagen sofreu durante anos com a falta de ajustes no tamanho de sua força de trabalho devido ao forte controle exercido pelo governo regional e pelos sindicatos —, afirmou Matthias Schmidt, analista independente do setor automotivo baseado nas proximidades de Hamburgo. Segundo ele, a concorrência das montadoras chinesas "está atingindo a gigante alemã com mais força do que qualquer outra".