PUBLICIDADE Evelyne dos Santos Gonçalves diz à polícia que recepcionava e organizava fila de clientes, mas não atuava na parte operacional e técnica no dia em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas foi lançada sem cordas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher é lançada em rope jump, mas sem cordas, no interior de SP — Foto: Redes Sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 09:16 Morte em Rope Jump: Organizadores Enfrentam Acusações em SP Evelyne dos Santos Gonçalves, responsável por um evento de rope jump em Limeira (SP) onde Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu, alegou medo de atuar na parte técnica e que sua função era apenas organizar e viralizar o evento. A jovem, de 21 anos, caiu de uma ponte sem estar presa à corda de segurança, resultando em sua morte. Três instrutores foram indiciados por homicídio com dolo eventual. O grupo, informal e sem empresa constituída, enfrenta investigações por negligência nos procedimentos de segurança. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Apontada pela polícia como a principal responsável pelo evento de rope jump em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu, em 13 de junho, disse aos investigadores que tinha "muito medo" de atuar na parte técnica e operacional dos saltos. A jovem de 21 anos foi lançada sem cordas da plataforma da Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), e não resistiu aos ferimentos. No depoimento, Evelyne dos Santos Gonçalves afirmou que saltava havia um ano e meio, mas que, nos eventos de rope jump, atuava na recepção, no cadastro e na organização da fila de clientes. Outra função sua, conforme ela detalhou, era gerenciar as redes sociais do "Entre Cordas", grupo informal de praticantes que passou a oferecer a experiência para o público geral. — Como eu não faço parte de nada operacional, eu sempre falo, inclusive nas redes sociais, que eu tenho muito medo, eu não tenho nenhuma qualificação pra te dar respostas técnicas. Porque a minha única função é editar os vídeos, postar nas redes sociais, viralizar — destacou ela aos investigadores. Evelyne foi presa temporariamente no sábado seguinte à tragédia, assim como João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, outros dois funcionários do evento. Três instrutores, que permanecem detidos desde o dia da morte de Maria Eduarda, foram indiciados por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar): Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves. As defesas negam intenção de vitimar a jovem e questionam a capitulação jurídica do caso. A dona do evento negou à polícia que tenha visto a preparação de Maria Eduarda para o salto. — Não dava para enxergar, não é próximo. Eu estava na primeira tenda. Se eu for te falar de metros, seria uns 20 metros — alegou a mulher, que disse ter ouvido um barulho quando preenchia um papel e, depois, se deparado com a reação "em choque" dos instrutores. No depoimento, Evelyne ainda destacou "a confiança e a expertise" dos homens envolvidos, defendeu se tratar de uma "fatalidade" e ressaltou que o grupo não fugiu após a tragédia. — A gente não fugiu, a gente está aqui esperando para ser julgado, para eu fazer o que for. Independentemente do que aconteceu, do que fizerem com a gente, a gente vai assumir, a gente vai ficar aqui — disse. Já o amigo que acompanhava Maria Eduarda no local de saltos de rope jump afirmou à polícia que a preparação da jovem para a aventura foi diferente da dele e "extremamente rápida". O homem, cujo nome não foi oficialmente divulgado, afirmou que pulou antes da profissional de Educação Física após passar pelo procedimento regular de segurança. No depoimento, obtido pelo Metrópoles, o homem detalhou que a preparação incluía a colocação de equipamentos, como colete e proteções, numa área anexa. Já a corda era fixada momentos antes do salto, na plataforma. Segundo o rapaz, no caso dele, o procedimento foi realizado por uma pessoa responsável por verificar os saltos anteriores ao dele. Já Maria Eduarda foi assistida por três pessoas. Os investigadores apontaram que ela foi a primeira a ser lançada na modalidade "aviãozinho" do rope jump, em que instrutores erguem o corpo do saltador sobre as cabeças e o lançam ponte abaixo. O amigo afirmou não ter visto o equipamento de segurança ser fixado em Duda e apenas ouvido gritos de pessoas que alertavam sobre a ausência da corda instantes depois do lançamento do corpo. Ele passou mal e precisou ser encaminhado ao hospital. A Polícia Civil indiciou os três instrutores que participaram do lançamento de Maria Eduarda por homicídio com dolo eventual. Para os investigadores, Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos, assumiram o risco da morte da jovem ao não observarem os procedimentos de segurança. A Polícia Civil e o Ministério Público (MP) apontam que um dos três presos no fim de semana pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas — lançada sem corda durante um salto de rope jumping — foi o responsável por retirar a câmera que estava presa nela logo após a tragédia. O autor da ação foi identificado como João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos. A informação consta no pedido de prisão feito à Justiça. Tragédia As seis pessoas integram um grupo que oferecia saltos de 40 metros de altura na ponte, com valores de até R$ 180. As imagens do acidente mostram Maria Eduarda sendo carregada pelos instrutores até a extremidade da plataforma e lançada para frente. De acordo com a polícia, a atividade era promovida por grupos informais e não havia uma empresa formalmente constituída responsável pela operação. Após a repercussão do caso, os perfis vinculados aos organizadores foram retirados das redes sociais. Segundo a delegada responsável pelo caso, os investigados afirmaram não se recordar de quem era a responsabilidade de conectar a corda de segurança nem por que a checagem final deixou de ser feita antes do salto. Maria Eduarda morreu após cair de uma altura de cerca de 40 metros durante a atividade. Segundo a Polícia Civil, a corda que deveria estar conectada ao equipamento de segurança da jovem não foi presa e permaneceu enrolada na estrutura utilizada para o salto. Testemunhas ouvidas pela investigação relataram que os procedimentos de conferência dos equipamentos não teriam sido realizados antes da queda. De acordo com a polícia, o grupo responsável pela atividade não possuía empresa formalizada.