“A contemplação da perda de uma força civilizatória não deixa de ser civilizatória a seu modo.” Essa intuição precisa de Roberto Schwarz a respeito do horizonte contemporâneo de possibilidades com o qual o pensamento crítico deve saber lidar é uma boa porta de entrada para o último romance de Tiago Ferro, Derrocada.
Talvez saber contemplar a derrocada das promessas civilizatórias seja a última maneira de ser fiel a algo do que elas um dia prometeram.
Pois é bem possível que uma das funções que restaram ao romance contemporâneo seja exatamente essa: contemplar a queda, não por resignação, mas como expressão de um compromisso dramático com o que não encontra mais formas de se realizar.
Como se fosse questão de não fazer do romance o espaço de conciliações extorquidas, de redenções morais duvidosas ou sublimações que só servem para fingir que a queda não é assim tão funda.
Melhor escrever sobre a derrocada de si, do personagem social que representamos, nem que seja para não sermos obrigados a participar dos festivais literários da Boa-Vontade-Premiada-ao-Final.










