Dois líderes europeus de países aliados dos EUA acabam de descobrir que, para Donald Trump, não há qualquer limite à ingerência em assuntos soberanos de outros governos. Georgia Meloni, primeira-ministra da Itália e representante de um movimento ultraconservador, foi obrigada a ir às redes sociais para rebater uma provocação por parte do republicano. Segundo ele, a italiana teria mendigado por uma foto ao seu lado e tentado se aproveitar de sua imagem. Meloni respondeu com vigor e fez uma pergunta: por qual motivo o líder dos EUA faz isso com seus próprios aliados? A pergunta é a que todos se fazem na Europa.

Dias depois, Trump cruzaria outra fronteira ao publicar, em suas redes sociais, uma mensagem de que Keir ­Starmer iria renunciar ao cargo de­ ­premier do Reino Unido antes mesmo de o britânico fazer o anúncio aos seus cidadãos, 24 horas depois.

Ingerência, humilhação e pressão têm marcado a relação entre o Velho Continente e os Estados Unidos. Enquanto as capitais da Europa tentam coordenar posições e buscar formas de lidar com essa nova realidade, uma constatação finalmente domina os corredores do poder no continente: a Europa é apenas mais um quintal de Trump.

A impressão de submissão não vem apenas de gestos públicos ou de uma diplomacia de redes sociais. A Casa Branca sinalizou que seu objetivo é o de promover uma ruptura em relação ao status quo com a Europa, enfraquecer o projeto de integração e lidar individualmente com os governos nacionais. Na visão de Trump, não há mais a ideia de um Ocidente Liberal unido, uma construção que dominou o imaginário de europeus e norte-americanos desde quando as democracias de ambos os lados do Atlântico se deram as mãos para derrotar o nazismo.