Estudo da operadora de saúde Alice mostra que taxa de internação de pacientes monitorados é de um terço da média dos países da OCDE Daniel Knupp, líder médico da Alice — Foto: Divulgação Nos últimos anos, o diabetes avançou de forma expressiva no Brasil e já responde por uma parcela importante do custo das doenças crônicas. De acordo com dados do monitoramento do Vigitel, do Ministério da Saúde, a prevalência cresceu 135% entre 2006 e 2024, gerando gastos diretos de mais de R$ 42 bilhões por ano. Segundo o Atlas de Diabetes, sem mudança de rota, a tendência é que os casos na América Latina aumentem em 45% até 2050. Para chamar a atenção para esse aumento, em 26 de junho é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, data instituída pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Pesquisas da Commonwealth Fund e da OMS apontam que modelos baseados em atenção primária integrada e a coordenação de cuidado podem colaborar para frear esse avanço. “O sistema brasileiro trata o diabetes de forma reativa: o paciente aparece quando há crise. O resultado são internações, amputações e complicações que seriam evitáveis com acompanhamento sistemático”, analisa Daniel Knupp, líder médico da Alice, operadora de saúde para empresas. Estudos mostram que modelos com forte atenção primária têm taxas de internação por condições crônicas até 30% menores do que sistemas baseados em atendimento especializado fragmentado. No Brasil, um levantamento realizado pela operadora comprovou a força dessa estratégia. Monitorando 80 mil beneficiários no ano passado, o Health Report mostrou que 60% dos diabéticos da base estão com a glicemia controlada, e a taxa de internação foi de 37 por 100 mil membros, o que representa um terço da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O resultado, segundo a empresa, reflete a atuação do médico de família, profissional responsável pelo acompanhamento do paciente em longo prazo, coordenando o cuidado com enfermeiros, especialistas e ferramentas digitais que integram dados clínicos em tempo real. Controle da doença De acordo com o relatório NCDs at a Glance, publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são a principal causa de morte na região. O diabetes é o terceiro maior responsável pelos óbitos, atrás apenas de doenças cardiovasculares e cânceres, e, além da mortalidade, pode levar a consequências como complicações renais, cardiovasculares e amputações. Na contramão das estatísticas, o levantamento da Alice mostrou que somente 13% dos pacientes atendidos pela operadora chegaram a um resultado considerado grave. Além disso, o índice de reinternação por conta da doença em 30 dias foi de 6%, menos da metade do piso estimado pela American Diabetes Association. “Essa taxa que registramos é o produto direto de um modelo que age antes. Isso é o que significa lutar pela saúde do membro junto com ele", aponta Knupp. Para o médico, os resultados têm relação direta com a realização do exame de hemoglobina glicada (HbA1c), que revela a média da glicemia nos últimos meses. No período de um ano, 83% dos diabéticos atendidos pela operadora fizeram o teste e 81% tiveram ao menos uma consulta com um especialista. "Quando o paciente tem um médico de família que o acompanha ao longo do tempo e um modelo de coordenação que age antes da crise, a adesão aos exames de monitoramento aumenta, o ajuste de medicação acontece antes da deterioração e o desfecho é estruturalmente diferente", conclui Knupp.
Atenção primária e coordenação de cuidado podem contribuir para controle do diabetes
Estudo da operadora de saúde Alice mostra que taxa de internação de pacientes monitorados é de um terço da média dos países da OCDE









