0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro — Foto: Renan Areias e Cristiano Mariz Flávio Bolsonaro tinha a estratégia de “jogar parado” sobre a crise com Michelle Bolsonaro até 25 de julho, quando será a convenção do PL que vai lançá-lo como candidato à Presidência. Com isso, o senador buscava se blindar de pressões da ex-primeira-dama para indicar candidatas ao Senado, como no imbróglio no Ceará que ela detalhou. Em conversas com aliados, no fim de semana, Flávio e seu grupo faziam a previsão de que Michelle não teria outra saída a não ser entrar na sua campanha presidencial. Para eles, Michelle enxergaria a vitória de Flávio como a única maneira de tirar Jair Bolsonaro da prisão domiciliar e viabilizar algum caminho de reabilitação política. Nas visitas que fazia ao pai, em prisão domiciliar, Flávio entrava e saía da casa da ex-primeira-dama sem cumprimentá-la e não a incluía em nenhuma conversa sobre o cenário político. O foco central das conversas do presidenciável com Jair Bolsonaro é a lista de nomes que concorrerão ao Senado e ao governo dos estados pelo PL que estão sendo costurados com o próprio ex-presidente. Flávio não queria a pressão de Michelle para fazer indicações. Nos últimos dias, no entanto, o senador começou a receber avisos de que o caldo iria entornar de vez com a madrasta e que seria melhor adiantar seu gesto de aproximação. Depois de envolver Damares Alves (Republicanos), que é ligada a Michelle, em sua campanha, Flávio ligou e mandou mensagem para a ex-primeira-dama na manhã de quarta-feira (24). Já era tarde. Àquela altura, Michelle já tinha consolidado a ideia de gravar um vídeo e expor seu lado da desavença com o enteado. Depois que o incêndio ocorreu no clã Bolsonaro, Flávio enviou a aliados a mensagem que tinha encaminhado a Michelle, naquela manhã, pedindo uma conversa. O estrago para sua campanha, no entanto, já estava feito.