0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro — Foto: Renan Areias e Cristiano Mariz Antes da crise deflagrada com a divulgação do vídeo de Michelle Bolsonaro, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ignorou conselhos de aliados para tentar pacificar a conturbada relação com a madrasta. A convivência dos dois sempre foi marcada por um clima de ressentimento e desconfiança mútua, mas chegou a um patamar inédito de desgaste com a divulgação do vídeo em que Michelle acusa o enteado de tê-la desrespeitado e maltratado por conta das críticas que ela fez à aliança entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, não faltaram candidatos a bombeiro para tentar apaziguar os ânimos antes que se chegasse ao vídeo postado nas redes sociais na última quarta-feira (24), em que Michelle diz ter sofrido uma “humilhação” de Flávio, que a teria acusado de não entender “nada de política”. Entre os diferentes atores políticos que tentaram aparar as arestas no clã Bolsonaro estão o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a ex-ministra Damares Alves (Republicanos), e o próprio presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que estava em Miami para acompanhar o jogo da Seleção Brasileira contra a Escócia quando a guerra foi deflagrada. Após o episódio, Valdemar alterou os planos e antecipou o retorno ao Brasil. “A verdade é que, quando Michelle se firmou como liderança no PL, os filhos do Bolsonaro se sentiram ameaçados”, afirmou um interlocutor do clã ouvido em caráter reservado. “Faltou para o Flávio o raciocínio de que a Michelle pode até não ajudá-lo a ganhar as eleições, mas pode ajudá-lo a perder. Qual a mulher brasileira que rivalizaria hoje com a proporção da popularidade da Michelle? Só a Anitta.” Já a tropa de choque bolsonarista viu na ofensiva midiática de Michelle um gesto de “egoísmo” e “vaidade pessoal”, atitude de quem ainda não admitiu ter sido preterida na composição de uma eventual chapa presidencial com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). “O problema é que ela nunca engoliu a história de ela não ser a candidata a vice do Tarcísio. E qual a saída pro Bolsonaro? Que o Flávio se eleja e faça uma anistia, mas ela não pensa nisso”, afirmou um parlamentar que pediu para não ser identificado. “Ela chama Alexandre de Moraes de irmão [Michelle chamou o ministro de "irmão em Cristo" durante evento em Brasília] e continua tendo o coração duro com o Flávio porque a candidatura dela foi inviabilizada pela dele. Jair Bolsonaro está dormindo com o inimigo.” Eleitorado feminino Entre integrantes do PL, há o temor de que o embate público entre madrasta e enteado atrapalhe a estratégia de Flávio de angariar votos no eleitorado feminino, principalmente entre as indecisas e independentes, que podem selar o resultado das urnas. Isso porque o cabo de guerra entre Flávio e Michelle, ainda que tenha respingado mais na imagem da ex-primeira-dama nas redes sociais, traz à tona questões como machismo e misoginia, dois tópicos que ressoam no eleitorado feminino. Os números dos levantamentos mais recentes expõem os desafios no caminho do senador. Segundo a última pesquisa do instituto Datafolha, enquanto Flávio lidera entre homens (50%, ante 41% de Lula) numa eventual disputa de segundo turno, o presidente da República tem vantagem entre as mulheres (52% a 37%). “Numa eleição, você vende a imagem de uma família exemplar e o que temos aqui é uma família em pé de guerra. Como que Flávio vai se eleger presidente da República para unir o país se não consegue garantir a paz nem dentro da própria família?”, questiona um aliado de Bolsonaro.
Flávio ignorou conselhos de buscar pacificação com Michelle antes de crise com vídeo
Flávio ignorou conselhos de buscar pacificação com Michelle antes de crise com vídeo











