Preocupações sobre quanto tempo a hidrovia permanecerá aberta também impulsionam o comércio Funcionários da Hapag-Loyd monitoram Estreito de Ormuz em Hamburgo — Foto: AP Photo/Ebrahim Noroozi As remessas de petróleo através do Estreito de Ormuz subiram nesta semana para o nível mais alto desde o início do conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado em fevereiro, após um acordo de cessar-fogo reabrir a hidrovia, mostraram dados divulgados nesta quinta-feira (25). As preocupações sobre quanto tempo o estreito permaneceria aberto também impulsionaram as negociações comerciais. Ainda assim, embora tenha havido um aumento nas remessas de petróleo em meio à forte demanda — especialmente na Ásia, após meses de interrupções — o volume total de navegações ainda representa apenas uma fração da média diária de 125 navios que atravessavam o estreito antes do início do conflito, em 28 de fevereiro. Quatro petroleiros transportando seis milhões de barris de petróleo atravessaram o estreito nesta quinta, e outros quatro milhões de barris de petróleo iraniano, transportados em dois petroleiros distintos, também deixaram a região, segundo análise da Kpler. Na quarta-feira, cerca de 10,8 milhões de barris de petróleo foram embarcados em seis petroleiros, mostrou a análise da Kpler. “A recuperação reflete a capacidade de adaptação dos sistemas de exportação do Golfo do Oriente Médio, e não um retorno pleno ao comércio anterior ao conflito”, afirmou a Kpler em relatório divulgado esta semana. Muitos navios voltaram a ativar seus transponders públicos de rastreamento AIS, mas alguns podem não ter sido detectados devido, em parte, a grandes interrupções nos sinais AIS, bem como ao fato de certas embarcações não divulgarem seus movimentos pelo estreito. Isso dificulta a estimativa do volume total de remessas. “Os níveis de tráfego ainda estão abaixo dos padrões históricos, e os participantes do mercado continuam avaliando a durabilidade do atual cenário”, afirmou a corretora marítima grega Allied Shipbroking em relatório divulgado esta semana. “O acordo de 60 dias reduziu os riscos imediatos à navegação, mas não eliminou as incertezas geopolíticas mais amplas da região.” O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou ao Reuters Global Energy Forum, em Nova York, na quarta, que cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto deixaram o estreito nas últimas 24 horas, o equivalente a aproximadamente um quinto do consumo mundial, nível semelhante ao observado nos últimos dias após um acordo inicial entre EUA e Irã para encerrar o conflito. O tráfego pelo Estreito de Ormuz vem aumentando diariamente, embora os navios estejam evitando a área central da hidrovia. Muitos optaram por navegar próximos ao lado omanense do estreito, enquanto menos embarcações têm utilizado águas iranianas, segundo análises dos movimentos dos navios. O chamado Esquema de Separação de Tráfego, adotado pela agência marítima da ONU em 1968, estabeleceu faixas de navegação através das águas iranianas e omanenses no estreito. Essa seção central atualmente não pode ser utilizada devido ao risco de minas, segundo fontes ligadas ao setor marítimo e à segurança naval. Esses riscos, somados à incerteza sobre possíveis ações da Guarda Revolucionária do Irã, limitaram ainda mais o tráfego pelo estreito, afirmaram fontes da indústria naval. Navios e barcos no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã , 1º de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo Plano de evacuação da ONU A Guarda Revolucionária declarou, em comunicado divulgado nesta quinta, que a passagem segura pelo estreito só é possível por rotas designadas pelo Irã, advertindo que uma nova rota marítima anunciada sem coordenação com Teerã é inaceitável e representa riscos à segurança. O comunicado acrescentou que medidas serão tomadas contra embarcações que não cumprirem as exigências. Um navio porta-contêineres foi danificado após ser atingido por um projétil ao tentar atravessar o estreito próximo à costa de Omã nesta quinta, no que a empresa britânica de segurança marítima Ambrey avaliou como um possível ataque. Até o momento, não está claro quem realizou a ação. Um petroleiro carregado e com bandeira do Panamá fez meia-volta nesta quinta após tentar atravessar o estreito em direção às águas omanenses, sendo instruído a utilizar a rota norte, pelo lado iraniano, informou a Ambrey separadamente, citando mensagens transmitidas às embarcações. Outro navio-tanque de derivados de petróleo, também com bandeira panamenha, foi orientado na quarta a alterar sua rota e aguardar instruções após iniciar uma travessia pelo lado iraniano do Estreito de Ormuz, acrescentou a Ambrey. Um novo esquema lançado esta semana pela agência marítima da ONU para evacuar centenas de embarcações retidas dentro do Golfo devido ao conflito já permitiu que 57 navios, transportando cerca de 1.100 marítimos, atravessassem o estreito desde 23 de junho, mostraram dados da ONU divulgados nesta quinta. Esse esquema voluntário destina-se exclusivamente à evacuação e oferece duas rotas, por águas omanenses e iranianas. “A estrutura de evacuação continua sendo implementada conforme planejado”, declarou nesta quinta um porta-voz da Organização Marítima Internacional da ONU.