O goiano Daniel Nolasco é, sem dúvida, uma das vozes mais autênticas do cinema LGBTQIA+ brasileiro. A criatividade e a ousadia de suas obras o afastam de uma corrente expressiva da filmografia queer brasileira, que parece mais preocupada com a ideia que a sociedade possa ter sobre os gays —e, por isso, não raro os idealiza— do que propriamente ser fiel ao que talvez esteja na essência da comunidade.
Em obras como "Vento Seco", de 2020, Nolasco não quer fazer filmes queer para a família brasileira. Seu cinema não se furta de mostrar cenas de nudez e mesmo sexo explícito, com altas doses de fetichismo e corpos masculinos em profusão exalando suor. Seus personagens também são vistos por um prisma positivo, mas estão longe do produto embalado para a adoração que tanto se vê por aí.
Seu novo filme, "Apenas Coisas Boas", se divide em dois tempos. No primeiro, vemos Antônio, fazendeiro homossexual que rompeu com o pai preconceituoso e tenta levar sua vida tranquilamente, lidando com gado. Certo dia, ele acode um motociclista que sofreu um acidente na estrada, e entre eles logo começa um romance. Mas o preconceito da área rural onde vivem ameaça essa história de amor.
O segundo se passa vários anos depois, e vemos um Antônio urbano, rico, mas ainda afetivamente apegado aos tempos da juventude no campo. Ele vive um relacionamento com um homem, mas faz pegação em locais públicos. Um dia, seu marido desaparece, e ele pede a ajuda de investigadores para saber o que houve.







