Ao cruzar uma estrada na paisagem rural de Catalão, interior de Goiás, Antônio se depara com o corpo de um motoqueiro estirado no asfalto, colorido de vermelho sangue. Ele leva o rapaz para casa, o desnuda e passeia com um pano das feridas em seu ombro aos pelos da virilha.
Em "Apenas Coisas Boas", a nudez não é castigada. Aquela interação entre os desconhecidos preenche o vazio dos personagens, que passam a protagonizar um amor gay numa parte do país que não costuma servir de cenário para esse tipo de narrativa.
Daniel Nolasco, em seu novo filme, mais uma vez desloca o sexo e o afeto homossexuais dos grandes centros urbanos. Por metade de "Apenas Coisas Boas", ele acompanha Antônio e Marcelo se banhando nus numa lagoa ou deitando na grama sob o sol, num cenário rural que evoca o faroeste.
"Existe uma recorrência de associar Goiás ao meio-oeste americano. Então eu queria me apropriar desse gênero, construído para reforçar a heterossexualidade masculina, e contar a história de personagens gays. E o faroeste fala desse homem solitário, algo importante para entender quem é o Antônio", diz Nolasco.
"Apenas Coisas Boas" é tão explícito e parece tão controverso quanto todos os outros trabalhos do goiano. Seu último longa, "Vento Seco", promoveu uma imersão sensorial ao pôr o espectador num vestiário habituado à prática do "banheirão" —pegação em banheiros públicos— e de uma orgia dominada por calças de couro e máscaras de "pet play" —quando o parceiro simula o comportamento de um cão.








