"Pillion" é uma produção britânica relativamente modesta, mas que pouco a pouco foi ganhando capilaridade e mesmo certo culto entre o público LGBTQIA+. Deveria estrear nos cinemas brasileiros, mas questões internas da empresa que comprou os direitos de distribuir o longa no Brasil fez com que passasse reto pelas salas, indo diretamente para o streaming.

Se a temática tem a ver com isso ou não, é difícil saber, mas o fato é que o filme do iniciante Harry Lighton se empenha em abordar a sexualidade gay sob um prisma menos corriqueiro no cinema mais comercial, o do sadomasoquismo. Sem demonizar tal prática ou analisá-la puramente em termos de degradação moral —sofrer e incutir sofrimento são mostrados como uma forma de prazer consentido, como tantos outros.

A trama tem como centro o inseguro Colin, socialmente visto como feioso e desinteressante, mas que se insere com perfeição nas expectativas do belo e desejado motoqueiro Ray. Colin se apaixona logo de cara pelo bonitão, um sujeito frio e arrogante que aprecia sexo desde que possa ter domínio total sobre o parceiro, exigindo completa submissão —inclusive fora da cama.

Em tudo, é Ray quem dá as ordens, e o domesticado Colin precisa obedecê-las, entre fazer compras e preparar a comida do parceiro. Em uma cena hilária, Ray dá tapinhas no sofá na hora da refeição, e Colin acha que o namorado o está convidando para comer do seu ladinho. Ledo engano. É o cachorro que ele chama na poltrona. E após a satisfação sexual do dominador, o dominado que vá dormir no chão, sem chatear o macho alfa da relação.