Um mês após as filmagens de "Pillion", em 2024, os direitos de distribuição deste romance BDSM entre um motoqueiro durão e um jovem tímido já estavam nas mãos da A24. Em maio do ano passado, o longa com Alexander Skarsgard chamou a atenção no Festival de Cannes, levou o prêmio de melhor roteiro na mostra Um Certo Olhar e chegou aos cinemas americanos em fevereiro deste ano.

Foi nesta época que a Diamond Films anunciou a estreia brasileira para abril. De lá para cá, o filme foi adiado duas vezes, a última para 21 de maio, até sumir do calendário nacional.

Na bolha cinéfila das redes, as mudanças causaram estranhamento, com sugestões de que o título cortará custos de divulgação e irá direto ao streaming. Mas Vinícius Pagin, diretor da Diamond, maior distribuidora independente da América Latina, diz que o destino de "Pillion" segue indefinido.

O filme de Harry Lighton é apenas um, dentre vários filmes, estrangeiros e nacionais, que sofrem esse vai e vem para chegar ao circuito nacional, num jogo complexo que envolve estratégias financeiras, calendários de festivais, premiações e a consolidação do Brasil como polo de atração mundial.

Outro filme da Diamond tomou a última data prevista para "Pillion". O terror "Hokum", lançado em 1º de maio nos Estados Unidos, antes de hits como "Obsessão", estava previsto para chegar um dia antes no Brasil, mas foi empurrado para o dia 21 por blockbusters como "Michael" e "O Diabo Veste Prada 2", que dominaram as salas no final de abril.