Engenharia complexa envolvia uso de verbas publicitárias fictícias e ocultação de dívidas para mascarar manobras que inflaram resultado da empresa em R$ 25,3 bilhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 PF deflagrou segunda fase da Operação Disclosure nesta quinta-feira — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 08:37 Fraude Contábil de R$ 54 Bi na Americanas é Revelada na Operação Disclosure A Americanas montou uma fraude contábil bilionária, inflando seus resultados em R$ 25,3 bilhões, utilizando contratos fictícios de verba de propaganda cooperada (VPC) e o mecanismo de risco sacado. Essas práticas ocultaram dívidas, apresentando um rombo total de R$ 54 bilhões, revelado na Operação Disclosure. O esquema envolvia manipulação de balanços financeiros, com lançamentos indevidos e redutores artificiais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Fraudes e manobras contábeis que inflaram o resultado da Americanas durante vários meses e vieram à tona em janeiro de 2023. Ao todo, os artifícios resultaram em um rombo de R$ 25,3 bilhões para a companhia. Mas, como as manobras eram aplicadas nos dois lados de seu balanço financeiro, justamente para não serem detectadas, as fraudes somam mais que o dobro disso, R$ 54 bilhões, valor que consta na segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada na manhã desta quinta-feira. Mas, afinal, o que é VPC, ou verba de propaganda cooperada? E como funciona o risco sacado? Veja, abaixo, a anatomia da fraude contábil da Americanas. Anatomia da fraude contábil na Americanas — Foto: Editoria de Arte Lucro inflado por contratos fictícios A Americanas inflou seu lucro sobretudo pelo uso de contratos fictícios de verba de propaganda cooperada (VPC). Esses incentivos comerciais são prática recorrente no varejo. A varejista encomenda um volume de produtos do fabricante por um valor. E coloca condições, como exposição privilegiada dos produtos nas lojas, e metas de comercialização. Ao cumprir essas metas, tem um desconto no valor devido ao fornecedor. PF mira ex-executivos das Americanas em ação contra fraude de R$ 25 bi A empresa também operou outro mecanismo, o risco sacado, também comum no varejo, para maquiar seus números. Trata-se de triangulação no financiamento de fornecedores, na qual a varejista antecipa aos parceiros crédito que eles têm a receber via bancos. O risco sacado e o VPCs são dois lados da mesma moeda. No balanço patrimonial, as operações com risco sacado somaram R$ 18,4 bilhões, mas teriam de ter sido lançadas como dívida, descritas como empréstimo e/ou financiamento. Em vez disso, foram lançadas numa conta transitória de fornecedores. E, para não acender o alerta dos analistas sobre o tamanho dessas operações, a empresa aplicava redutores artificiais nessa rubrica de risco sacado, através dos VPCs. No balanço patrimonial, o valor lançado em VPCs fictícios é de R$ 17,7 bilhões, mais R$ 3,6 bilhões de juros lançados incorretamente. Fica claro que a soma compensa a outra. Além do risco sacado, foram indevidamente contabilizados no balanço R$ 2,2 bilhões em capital de giro. Somadas essas rubricas, o rombo na companhia foi de R$ 25,3 bilhões. Colaborou Danielle Nogueira