Nova etapa se dá quase três anos e meio após a eclosão do escândalo contábil, revelado pela empresa em 11 de janeiro de 2023, e busca se acionistas e credores tiveram algum papel no caso Investigações da Polícia Federal sobre fraude contábil na Americanas permanecem em curso — Foto: Gustavo Minas/Bloomberg A segunda fase da Operação Disclosure da Polícia Federal, que investiga as fraudes contábeis na Americanas, foi deflagrada na quinta-feira (25) com dez mandados de busca e apreensão contra oito alvos. Entre eles, está Carlos Alberto Sicupira, um dos acionistas de referência da empresa, ex-conselheiros de administração e executivos de bancos. A nova etapa se dá quase três anos e meio após a eclosão do escândalo, revelado pela empresa em 11 de janeiro de 2023, e busca se acionistas e credores tiveram algum papel no caso. Vale lembrar que, no ano passo, o Ministério Público Federal ofereceu a denúncia de 13 investigados, todos ligados à antiga diretoria da Americanas, encabeçada pelo ex-presidente da empresa Miguel Gutierrez. A Justiça ainda não acatou o pedido, e as investigações da Polícia Federal permanecem em curso. Quem são os alvos da 2ª fase da Disclosure: Carlos Alberto Sicupira – forma com Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles o trio de acionistas de referência da Americanas, empresa cujo controle adquiriram no começo dos anos 1980. Beto, como é conhecido no mercado, sempre foi dos três o mais próximo da operação da varejista, da qual foi presidente, presidente do conselho e conselheiro. Sempre foi presente na empresa, embora essa frequência tivesse diminuído nos anos que antecederam a crise. Paulo Lemann – era conselheiro da Americanas e membro do comitê financeiro quando a fraude veio à tona. É um dos filhos do empresário Jorge Paulo Lemann. Nos meses que antecederam o escândalo, trocou mensagens com Marcelo Nunes, então diretor financeiro, pedindo mais informações sobre o caixa da varejista no quarto trimestre de 2022, que dava sinais muito ruins. Eduardo Saggioro – é presidente do conselho de administração da Americanas e também era quando a empresa revelou as “inconsistências contábeis”, além de sócio da LTS, holding de Lemann, Telles e Sicupira. Também fez questionamentos sobre o caixa aos então diretores. Orientou executivos sobre como deveria ser a comunicação dos resultados ao mercado. A empresa era conhecida por falar mal com os investidores e era sabido que os resultados do fim de 2022 viriam ruins. José Rudge – hoje diretor do Itaú BBA que comanda a área de infraestrutura e energia do banco, foi responsável pela conta da Americanas no banco. É citado em mensagens trocadas entre os ex-diretores da varejista como uma pessoa com quem vinham tentando negociar para que o Itaú não citasse as operações de risco sacado na carta de circularização que tinha de enviar à auditoria da Americanas relativa ao balanço de 2016. O banco não retirou a informação, mas aceitou pedido da varejista para mandar uma nova folha esclarecendo pedidos de informações adicionais, entre os quais não estava o risco sacado. Gustavo Balassiano - Ex-executivo do Itaú BBA, era o superintendente responsável pela conta da Americanas no banco. Foi quem recebeu os primeiros contatos de executivos da empresa pedindo a retirada do risco sacado da carta de circularização. Levou o caso aos superiores. André Juaçaba de Almeida – atual vice-presidente de corporate do Santander, era executivo do banco no Rio de Janeiro, onde atendia a Americanas. Recebeu pressão dos então diretores para deixar de fora das cartas de circularização a menção ao risco sacado. Alexandre Abdo – trabalha no Santander há quase 20 anos, e atualmente é o responsável pelas áreas de indústria, aviação, logística e tecnologia e telecom. Atuou durante anos na cobertura dos clientes de varejo, alimentos e bebidas do banco, quando atendeu a Americanas. Carlos Pedras – hoje diretor-executivo do Bradesco, foi diretor de corporate no Rio, onde atendeu a Americanas. Assim como os demais, foi abordado pela empresa para aliviar a comunicação com os auditores. O que dizem os alvos da nova fase: Acionistas de referência: “Os acionistas de referência foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, 25 (Disclousure). As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o conselho de administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Companhia. Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, como vêm fazendo desde 11 de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis. Até o momento, as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida, razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar.” “O Bradesco acompanha e está à disposição das autoridades.” Santander “O Santander informa que está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes, como tem feito desde o início das apurações. A instituição reitera seu compromisso com a ética, a transparência e o estrito cumprimento da regulamentação em suas operações.” Itaú “Em relação à operação realizada hoje, o Itaú Unibanco, embora não seja investigado, esclarece que colabora ativamente com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações sobre o caso Americanas. As investigações oficiais já demonstraram que a varejista foi palco de uma das maiores fraudes corporativas do país. O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços. A instituição reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando e confiando no trabalho das autoridades para a elucidação definitiva das irregularidades praticadas pela antiga administração da varejista.”
Veja quem são os alvos da nova fase da operação sobre fraudes na Americanas
Nova etapa se dá quase três anos e meio após a eclosão do escândalo contábil, revelado pela empresa em 11 de janeiro de 2023, e busca se acionistas e credores tiveram algum papel no caso












