As fraudes contábeis supostamente cometidas pela antiga diretoria da Americanas inflaram os resultados da empresa com lucros fictícios ao longo de anos. O maior escândalo corporativos da história do país veio à tona em 11 janeiro de 2023, quando o então presidente da varejista, Sérgio Rial, anunciou seu desligamento e divulgou, em fato relevante, ter encontrado "inconsistências contábeis" da ordem de R$ 20 bilhões em seus balanços.

Dias depois, em 19 de janeiro, a varejista entrou em recuperação judicial, com apenas R$ 800 milhões declarados em caixa (que foram reduzidos a R$ 250 milhões após o bloqueio de recebíveis por bancos), dívida de aproximadamente R$ 43 bilhões com 16,3 mil credores. A solicitação, aceita pela Justiça em poucas horas, foi à época o quarto maior pedido de recuperação judicial da história do Brasil.

Comunicado oficial da empresa divulgado cinco meses após a saída de Rial, ainda em 2023, apontou que o lucro fictício somou R$ 25,3 bilhões. A varejista relacionou fraudes nos valores de R$ 21,7 bilhões, R$ 18,4 bilhões, R$ 2,2 bilhões e R$ 3,6 bilhões.

Os artifícios foram criados para dar uma aparência saudável aos números da varejista fundada em 1929 em Niterói (RJ) por imigrantes americanos e passada, no início dos anos 1980, ao comando do trio de bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. Os três foram controladores da Americanas até 2021, quando foi feita uma reestruturação societária na companhia, e a fatia que somavam passou de 53,3% para 29,2%. Ainda hoje, são os principais acionistas da empresa.