Em ‘default’ no México e ‘quase’ no Brasil, pedido de proteção era inevitável, diz fonte A intenção hoje é buscar, após obter apoio dos credores, um pedido de RE, mas um pedido de recuperação judicial não está fora do radar — Foto: Edilson Dantas/O Globo A petroquímica Braskem está se preparando para entrar com um pedido de cautelar protetiva contra a cobrança de credores diante da dificuldade de chegar a um mínimo consenso com esse grupo no México e no Brasil, apurou o Valor com fontes que falaram na condição de anonimato. A expectativa era entregar o documento até a noite de quarta-feira (24). Até o fechamento desta edição, o pedido não tinha sido oficializado. A medida ocorre poucas semanas depois de a gestora IG4 Capital assumir o controle da petroquímica e iniciar a renegociação de dívidas de cerca de R$ 50 bilhões com credores, incluindo a subsidiária já em risco de inadimplência (“default”) no México e compromissos financeiros para implementar um terminal de importação de etano naquele país. Uma fonte afirmou que a intenção é buscar, após obter a proteção, apoio dos credores para um pedido de recuperação extrajudicial, o que ainda não se mostrou viável, segundo outro interlocutor. Para isso, a companhia precisaria do apoio de ao menos um terço e ganharia 3 meses para obter o sinal verde dos detentores de 50% mais um da dívida e seguir para o acordo extrajudicial. Se não for possível chegar a um acordo com a maioria dos credores - os “bondholders” são os opositores ao acordo -, a empresa deve caminhar para a recuperação judicial, algo que até o momento foi descartado pelos controladores IG4 e Petrobras. A gestora vai liderar a reestruturação financeira da petroquímica e a Petrobras é contra a RJ, mas não pretende aportar recursos na empresa. A Braskem está pressionada por dois fatores de curto prazo: o vencimento em julho de juros e parte do principal de dívida emitida pela operação brasileira e um pedido iminente de “Chapter 11” (recuperação judicial nos EUA) de sua subsidiária no México. O não cumprimento de uma das dívidas da subsidiária do México, uma sociedade com o bilionário Carlos Slim, dono do grupo Inbursa, poderia antecipar outros vencimentos da holding no Brasil e comprometer sua liquidez. Conforme a reportagem já informou, as conversas no México começaram e estariam em “bom curso”, mesmo que envolvendo “Chapter 11” com injeção de novos recursos. No processo, a Braskem tem como assessores o escritório E. Munhoz e o americano Cleary Gottlie e, do lado financeiro, a Makalu e Lazard. Procuradas, Braskem e IG4 não comentaram o assunto. Conforme o Valor informou, a intenção de IG4, que assumiu o controle da Braskem após transferência de ações detidas pela Novonor (antiga Odebrecht) em gestão compartilhada com a Petrobras, seria chegar a um acordo com credores, algo que continua se mostrando improvável. Em entrevista recente, o economista Helcio Tokeshi, sócio-diretor da IG4 e novo presidente da maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, disse que poderia se beneficiar do novo momento da indústria, que vem do pior ciclo da baixa da história globalmente. Vender ativos não é algo que vá sair do papel neste momento, dada a volatilidade no mercado global e os benefícios que um portfólio de produtos e geografias diversificado pode trazer em tempos de incerteza. Também não está nos planos perder o controle da Braskem Idesa, subsidiária mexicana que está insolvente. “A proposta é que o país tenha uma indústria petroquímica saudável, olhando uma cadeia que começa na Petrobras, passa pela Braskem e chega aos transformadores”, afirmou o CEO. Migração da nafta para o gás como matéria-prima e expansão da petroquímica verde seguem como alvo. Tokeshi não deu detalhes sobre os termos das conversas com credores (detentores de bônus e bancos), mas admite que há urgência: a Braskem quer evitar o pagamento, em julho, de US$ 150 milhões em juros além de parcela de principal da dívida, o que poderia pressionar perigosamente a liquidez, apesar da recente melhora das vendas e das margens de petroquímicos na esteira do conflito no Oriente Médio. “Essa é a principal agenda de curto prazo do CFO.” Esse cenário virou, e os preços de resinas entraram em queda acentuada globalmente. Se a reestruturação for bem-sucedida, a petroquímica deverá migrar para o Novo Mercado da B3.