Operações visam ganhos de eficiência, ampliação de portfólios ou acessos a novos mercados e públicos Buddha Spa, liderada por Gustavo Albanesi, fez sete aquisições nos últimos anos — Foto: Divulgação As operações de fusões e aquisições no setor de franquias no Brasil entraram em nova fase em 2026 na busca por fortalecimento e eficiência diante da crescente competição em um ambiente de negócios cada vez mais exigente. Nesse contexto, o crescimento orgânico de muitas marcas tem caminhado lado a lado com a expansão das redes por meio de aquisições, estratégia que abrange tanto a compra de concorrentes, quanto a necessidade de expansão em outros mercados e, por fim, operações visando sinergia entre os grupos. “O mercado de fusões e aquisições está superaquecido”, diz Fernando Tardioli, conselheiro da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e sócio fundador da Tardioli Lima Advogados, citando a recente compra da Casa do Pão de Queijo pelo Grupo Trigo, detentor do Spoleto, Koni Store, Gendai e Gurumê. A maturidade atingida pelo setor faz com que investidores de fundos e grupos multimarcas vejam no segmento um porto seguro para seus investimentos. “Os movimentos podem gerar ganhos de eficiência, ampliação de portfólios e acessos a novos mercados e novos públicos... Hoje as empresas franqueadoras se preparam para M&As (sigla em inglês para fusões e aquisições), melhoraram sua governança, têm demonstrações contábeis consistentes e dados confiáveis. Muitas são auditadas por auditores independentes”, diz Tardioli. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento do setor de franquias cresceu 10,1% em relação ao mesmo período de 2025, atingindo R$ 72,7 bilhões. Exemplos como o Buddha Spa, maior rede de spas urbanos da América Latina, mostram a combinação de estratégias como alavanca de expansão e consolidação. A rede, com mais de 150 unidades em operação no país, comprou recentemente duas outras; a concorrente paulista Espaço Prana, com investimento total de R$ 7,5 milhões, e a Pomander, marca voltada para produtos de bem-estar, florais de Bach, óleos essenciais, home sprays e cosméticos naturais. Nesse último caso, a operação visou a sinergia e o fortalecimento de seus negócios voltados para o bem-estar. No primeiro, o objetivo foi o de ocupar o espaço do concorrente. “Nossa estratégia de M&A visa expandir com velocidade, ocupar regiões onde não estamos presentes ou, em terceiro, eliminar concorrente de mercado que esteja crescendo e que possa ameaçar nossos negócios no futuro”, diz Gustavo Albanesi, CEO do Buddha Spa, acrescentando que, nos últimos anos, a rede fez sete aquisições de marcas. A Pomander, cuja incorporação somou R$ 4,8 bilhões, seguirá atuando de forma independente, mantendo seus canais de venda atuais com o suporte mercadológico e estratégico do Buddha Spa. As fundadoras da Pomander passam a deter 15% da Buddha Lab, empresa do grupo. “Vimos a Pomander com conexão e propósito muito parecidos com o nosso e com expertise diferenciado, trazendo mais qualidade e sofisticação”, diz Albanesi. O movimento de M&A tem se concentrado em setores como o de alimentação, saúde e bem-estar (academias), estética e postos de eletrificação veicular. “Percebemos mercado bem aquecido, uma demanda dos empresários querendo incorporar essas atividades em seus portfólios e fundos de investimento buscando aquisição”, diz Frederico Nicolau, CEO da Oral Unic e fundador da WeScale, escaladora de negócios, detentora de várias marcas. Segundo ele, estão no radar fusões que resultam em operações visando à diversificação regional. Como exemplo, citou processo em curso de uma rede de academias com atuação no chamado “alto tíquete” negociando a aquisição de outra com foco no “baixo tíquete”, reunindo, a partir da operação, uma rede de academias que abrangerá públicos diferentes. “Estamos vendo mais tendência de fusões com atividades que se complementam”, diz Nicolau. Um dos exemplos vem do seu próprio negócio. A Oral Unic, com 300 operações concentradas nas regiões Sul e Sudeste, negocia associação com franqueadoras odontológicas no Nordeste como estratégia de diversificação geográfica. O modelo ainda não foi definido, podendo ser fusão ou aquisição, mas a decisão de expansão regional já foi tomada. “É um mercado que exploramos pouco. A operação funcionará como um acelerador para entrarmos nesse mercado”, diz Nicolau. Outra aquisição recentemente concluída foi a da Vaapty, rede de franquias especializada na intermediação de venda de veículos seminovos. Miguel Henrique Souza, CEO da rede, concluiu a compra da participação de Ycaro Martins, fundador da marca. “A intenção foi a de fortalecer o braço tecnológico da Vaapty e de gestão”, diz Souza. Fundada em 2020, a empresa atingiu 189 unidades em operação e projeta alcançar 300 lojas até o fim de 2026, ampliando sua presença em todo o território nacional. “A intenção foi fortalecer o braço tecnológico da Vaapty e de gestão”, diz Souza. A advogada Thais Kurita, especializada em franchising e sócia do Novoa Prado & Kurita Advogados, observa que entre os fatores que devem ser levados em conta em operações de M&A está a cultura da marca. “Quando a cultura é muito diferente corre o risco de a fusão não dar certo”, diz.
Mais maduro, setor de franchising vive onda de fusões e aquisições
Operações visam ganhos de eficiência, ampliação de portfólios ou acessos a novos mercados e públicos







