Operadores com múltiplas unidades ganham relevância nas redes, mas crescimento exige gestão profissional, capital e formação de lideranças Sedi Novaes: “Só se entende a posição de dono quando se vira dono” — Foto: Divulgação Crescer organicamente apoiada em operadores de alta performance da própria base tem sido uma das principais estratégias das franqueadoras brasileiras. Não por acaso a participação dos multifranqueados - empreendedores que operam mais de uma unidade de uma única bandeira ou de marcas diferentes - tem crescido significativamente. Dados da Associação Brasileira de Franchising revelam que franqueados com duas ou mais unidades estão presentes em 88% das mais de 3.200 marcas franqueadoras, enquanto a atuação dos operadores multimarcas nas redes saltou de 51% em 2024 para 62% no ano passado. “O avanço é bem-vindo, mas ainda estamos longe do potencial a ser alcançado”, afirma Denis Santini, fundador da CommUnit, ecossistema de franqueados. “Apenas 300 operadores brasileiros têm mais de 50 franquias, o equivalente a 8% dos franqueados, cerca de 62 mil. É pouco”. Nos EUA, as cerca de 860 mil unidades franqueadas estão nas mãos de 234 mil operadores, segundo a International Franchising Association e a estimativa é que até dezembro 58,8% das operações sejam controladas por multifranqueados. Foi com o objetivo de triplicar o número de lojas operadas por franqueados de alta performance que a Casa Bauducco lançou o Plano Crescer 3X. O foco são parceiros com resultados e capacidade operacional validados. “Os multifranqueados representam cerca de 60% da rede, o que nos garante potencial de expansão qualificada”, afirma Elio França, chief business unit D2C da Bauducco. “Esse perfil vem ganhando peso e em parceria com eles queremos chegar a 260 unidades até dezembro.” Segundo Cristy Martins, diretora da comissão de franqueados da ABF, o setor está cada vez mais robusto e maduro, com grupos econômicos capazes de garantir uma expansão segura e ágil para as marcas. “As franqueadoras buscam nos multifraqueados não apenas capilaridade, mas o conhecimento que eles têm do consumidor nas diferentes regiões.” À frente de 9 operações das redes CNA+ e Mapple Bear - se somar as franquias da família são 21 -, Sedi Novaes afirma que está no meio da jornada, que é marcada pelo aprendizado contínuo. “Para alcançar bons resultados não basta dominar os manuais, é essencial entender de finanças, RH, legislação, entender de gente”, afirma. “Não é necessário ser expert em tudo, mas é essencial dominar o básico para poder negociar e discutir no mesmo nível”. Ao longo de 25 anos, aprendeu que para crescer é preciso delegar. Preparou cinco colaboradores e deu a eles um percentual da sociedade nas franquias. “Só se entende a posição de dono quando se vira dono”, diz. Em 2025, faturou R$ 7 milhões com a rede que estruturou. Dividir para crescer também foi a receita adotada por Daniela Zagury, dona de 11 franquias das marcas Nutty Bavarian, Gran Cru, General e Papelaria Magnólia. “Comprei o primeiro quiosque em 2019 e quando cheguei à quarta unidade percebi que ou investia em uma estrutura de gestão profissionalizada ou ficaria estagnada, com risco de perder dinheiro”, revela. “Fui me capacitar, busquei ajuda de consultorias e decidi expandir com multimarcas e em multisegmentos. Fui ousada”. A partir da quinta franquia cresceu com sócios, todos ex-colaboradores. Hoje, administra 9 CNPJs e projeta um faturamento de R$ 7,1 milhões, 5% a mais que em 2025. Na visão de Leonardo Polachini, CEO do Grupo Polachini - responsável por 14 franquias das redes Bob’s, KFC e Vila Trampolim, que faturaram R$ 30 milhões em 2025 - a evolução dos multifranqueados chegou em um estágio em que muitos grupos já pensam em ecossistemas de negócio próprios. “A virada de chave está na troca da posição. Ao assumir que é dono de uma empresa e não de uma loja, ele muda o jogo e cresce de maneira mais sustentável”, assegura. À frente de 51 franquias da Microlins, Rivaldo Guedes da Silva, afirma que os multifranqueados, cada vez mais profissionalizados, elevam a régua de exigências em relação à franqueadora. “Se por um lado a escuta tem de ser mais ativa e a gestão mais eficiente, com decisões mais assertivas e muita tecnologia, por outro exige que o franqueado faça a sua parte e se capacite continuamente”, observa. “Franchising é um jogo que se joga junto”. Disposto a faturar R$ 40 milhões, 10% mais que em 2025, Silva procura sócios-operadores para fechar 2026 com 60 franquias.
Cresce a participação dos multifranqueados
Operadores com múltiplas unidades ganham relevância nas redes, mas crescimento exige gestão profissional, capital e formação de lideranças










