Claudia Abreu: “Cuidar da pele não é só vaidade, envolve autoestima e qualidade de vida” — Foto: Fernanda Stavich/Divulgação A geração prateada já movimenta R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil. Formada por pessoas com 50 anos ou mais, responde por 24% do consumo privado total dos domicílios brasileiros, segundo levantamento do Data8, hub de pesquisa e inovação no mercado da longevidade. Esse grupo, que hoje representa mais de 27% da população do país, deve alcançar 44% em 2044, conforme projeção da ONU. Dados do Data8 mostram que seis em cada dez pessoas acima de 50 anos não se sentem com a idade que têm, ou seja, são ativas. Além disso, sete em cada dez brasileiros 50+ vivem dos próprios rendimentos. E mais: para 76%, essa renda é a principal fonte de sustento da família. “As empresas precisam despertar para a transição demográfica e a potência da geração 50+ no consumo. Não reconhecer isso é um risco até para a sobrevivência dos negócios”, destaca Lívia Hollerbach, sócia do Data8 e coordenadora da pesquisa “Mercado Prateado”. Apesar do potencial, parte do mercado ainda enxerga o envelhecimento por meio de estereótipos ligados à fragilidade e à passividade. Nesse cenário, crescem oportunidades em saúde, beleza, bem-estar, alimentação e serviços ligados à longevidade. Outro levantamento, da Nexus, com dados do IBGE, mostra que a taxa de ocupação dos brasileiros 60+ atingiu 25% em 2025, o maior nível da última década, embora 53% dos trabalhadores dessa faixa etária estejam na informalidade. Criada em 2006, a empresa Supera desenvolveu um método de estimulação cognitiva voltado a diferentes faixas etárias, mas que ganhou maior adesão entre pessoas com 50 anos ou mais, que hoje representam 85% dos matriculados. Em uma aula de duas horas, uma vez por semana, são oferecidos exercícios com ábaco, jogos, palavras cruzadas, sudoku e dinâmicas de grupo. “As pessoas com mais de 50 anos querem exercitar a mente, ampliar a convivência social e investir em uma longevidade mais saudável”, diz Bárbara Perpétuo, vice-presidente da Supera. Com mais de 250 unidades e 28 mil alunos, a rede Supera faturou R$ 187 milhões em 2025 e prevê expandir em 14% o número de unidades neste ano. Fundada em 2012, a Saúde Livre, rede de clínicas de vacinação, também tem nas pessoas acima de 50 anos um público cada vez mais relevante. Segundo Rosane Orth Argenta, sócia-fundadora, esse movimento é impulsionado pela valorização dos cuidados preventivos e pela chegada de novas vacinas para adultos, como as contra herpes-zóster, vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza tetravalente. “Depois dos 50 anos, ocorre a imunossenescência, processo natural em que o sistema de defesa do corpo passa a responder de forma mais lenta, o que reforça a importância da vacinação”, destaca. O público 50+ representa cerca de 18% dos atendimentos da Saúde Livre Vacinas. A rede conta com 191 unidades, sendo 148 em operação e 43 em implantação. Em 2025, registrou faturamento de R$ 110 milhões, 25% superior ao ano anterior. Para 2026, a projeção é chegar a cerca de R$ 170 milhões. A Ultra Academia surgiu em 2021 a partir da experiência de executivos do mercado fitness e de uma pesquisa que identificou a busca por um ambiente mais acolhedor. O público-alvo incluía pessoas que nunca haviam treinado ou estavam retornando à atividade física após longo período paradas. “Em vez de sair demandas sobre estrutura e equipamentos, o resultado foi sobre a parte de inclusão, uma necessidade de se sentir pertencente ao ambiente”, afirma Ivete Gama, cofundadora e CMO da Ultra Academia. Esse posicionamento ajudou a atrair um público maduro. Atualmente, cerca de 32% da base de alunos têm 45 anos ou mais, com predominância feminina (57%). Segundo a executiva, os principais objetivos desses clientes são saúde, emagrecimento, fortalecimento muscular e socialização. A rede aposta em um atendimento mais próximo, oferecendo musculação, aulas coletivas como jump, zumba, fitdance e bike, com 30 ou 40 minutos de duração, para encaixar mais facilmente na rotina. A Ultra conta com 100 academias em operação e 60 em implementação no país, com planos de chegar a 300 unidades em 2028. O faturamento da rede bateu R$ 200 milhões em 2025 e, para este ano, a expectativa é atingir R$ 300 milhões. Os cuidados com a beleza e o bem-estar estão em alta. Na Royal Face, criada em 2015 e com modelo de franquias desde 2018, os clientes 50+ já representam 44% das vendas de tratamentos faciais e corporais. “Cuidar da pele não é só vaidade, envolve autoestima e qualidade de vida”, destaca Claudia Abreu, CEO da Royal Face. Dentro desse público, 60% dos clientes são recorrentes e o tíquete médio chega a R$ 2,7 mil, contra R$ 1,6 mil na média da operação. A Royal Face tem mais de 250 unidades e deve inaugurar mais 30 até o final do ano. Na Homenz, rede de estética e saúde voltada ao público masculino, os clientes de 50 anos ou mais já representam cerca de 40% da base. “Há uma mudança cultural em curso. Os homens de 50 anos ou mais estão mais abertos ao autocuidado. Entre os mais jovens, isso já faz parte da rotina”, afirma Luiz Fernando Carvalho, CEO e fundador da rede. Os serviços mais procurados são tratamentos capilares, faciais e emagrecimento. Criada há sete anos, a Homenz tem 82 unidades em operação e 32 em implantação, com planos de chegar a 500 até 2030. O faturamento foi de R$ 160 milhões em 2025, ante R$ 100 milhões em 2024, com expectativa de dobrar neste ano. Com famílias menores e a extensão da vida profissional, cresce a procura por serviços de assistência aos idosos. Filhos 50+ precisam conciliar o cuidado dos pais com suas atividades do dia a dia. A Terça da Serra, rede de residenciais sênior, surgiu em 2014 a partir de uma necessidade familiar. Pedro Moraes e sua esposa, fundadores da empresa, buscavam uma alternativa para cuidar do avô dela, encontraram dificuldade em localizar assistência de qualidade e decidiram desenvolver uma solução. Hoje, são 120 residenciais em operação e 50 em implantação, somando mais de 3,5 mil leitos. A rede faturou cerca de R$ 210 milhões em 2025, crescimento de 40% em relação ao ano anterior, e projeta chegar próximo de R$ 300 milhões em 2026. Cerca de 80% dos moradores têm mais de 80 anos e a maioria apresenta grau 2 de dependência, com necessidade de auxílio parcial. “Idosos com limitações são a maior parte do público, mas com o tempo percebemos pessoas mais independentes chegando também”, diz Moraes. Nesses casos, a busca está mais relacionada à necessidade de convivência social. O Grupo Acuidar foi criado em 2016 pela fisioterapeuta Jéssica Ramalho, que identificou a carência de profissionais especializados após anos dedicados aos cuidados do pai idoso. A rede oferece assistência domiciliar com cuidadores treinados e supervisão de enfermeiros. “Muitas pessoas resumem o cuidado apenas a dar banho, trocar fralda ou administrar medicação, mas vamos além. O cuidador precisa proporcionar qualidade de vida, oferecendo companhia, atividades e estímulo aos idosos”, afirma a empresária. Hoje, a Acuidar conta com 340 unidades, 18 mil cuidadores e faturou R$ 243 milhões em 2025, com projeção de crescimento de 30% este ano, para R$ 315 milhões.