A “economia prateada” deverá movimentar US$ 16 trilhões por ano no mundo até 2030, segundo estimativa do Fórum Econômico Mundial. Este é um mercado que reúne os negócios impulsionados pelo aumento da expectativa de vida da população e pela participação crescente de pessoas acima dos 50 anos no consumo e nos investimentos. No Brasil, o contingente de pessoas acima dos 60 anos é de 32 milhões (16% dos brasileiros), segundo relatório do IBGE de 2024. Essa turma movimenta cerca de R$ 2 trilhões ao ano, em grande parte, com bens e serviços associados ao bem-estar, conforme pesquisa da consultoria Data 8. De olho nesse público — e na mudança comportamental pós-pandemia, com a valorização da longevidade construída a partir da saúde física e mental —, incorporadoras em todo o país têm desenvolvido produtos inspirados na busca por longevidade. Os projetos incluem um “sênior living” com hotelaria padrão cinco estrelas; um residencial de luxo com a quintessência dos tratamentos e tecnologias “wellness”; e um condomínio de altíssimo padrão desenvolvido sob o conceito de “aging place”, em que envelhecer bem inclui mobilidade, arquitetura e natureza. Fachada do Magno Moinhos, com 132 unidades na capital gaúcha: projeto com hotelaria padrão cinco estrelas e arquitetura assinada por Ronaldo Rezende — Foto: ABF DEVELOPMENTS/DIVULGAÇÃO Em Porto Alegre (RS), a ABF Developments vem estudando o tema há oito anos e encontrou no “sênior living premium” um nicho a ser explorado. A capital gaúcha é a que concentra maior população relativa de idosos no Brasil, com 324 mil pessoas acima dos 60 anos, do total de 1,3 milhão de habitantes. “Há um grande número de clínicas geriátricas na cidade, mas nenhuma com infraestrutura de alto padrão”, comenta Eduardo Laranja da Fonseca, CEO da ABF Developments, que lançou a coleção Magno, com edifícios voltados ao público 60+, apoiados por serviços médicos profissionais e “amenities” de alto padrão. O primeiro foi o Magno Três Figueiras, entregue em 2024 e que está com 90% dos 114 apartamentos ocupados. Em maio passado, foi a vez de o segundo projeto ser inaugurado: o Magno Moinhos, com 132 unidades. Em comum, eles têm spa, salão de beleza, cinema, restaurante, “rooftop” com “lounge”, horta e vista panorâmica, uma extensa agenda de atividades e enfermaria 24 horas, sete dias por semana. Com pista de caminhada, bosque natural e ambientes para convivência, Ícaro Casa-Térrea segue conceito de “aging place” — Foto: AG7/DIVULGAÇÃO “A diferença é que esses projetos não parecem hospital ou casa de repouso. Investimos na arquitetura assinada pelo Studio Ronaldo Rezende exatamente para criar uma atmosfera de hotel cinco estrelas", explica Fonseca. Os serviços de saúde de ambos os edifícios são operados pelo Grupo São Pietro Hospitais e Clínicas, atendendo os moradores em três diferentes níveis de assistência: “independent living”, “assisted living” e “memory care”. O valor dos serviços por pessoa, incluindo moradia, seis refeições diárias, atividades e suporte médico, varia de R$ 13,8 mil a R$ 28 mil mensais. No Magno Três Figueiras, a receita gerada em 2025 foi de R$ 21 milhões. A projeção é chegar a R$ 25 milhões por ano, com uma margem operacional média entre 23% e 27%. O próximo projeto, Magno Menino Deus, já foi lançado e será operado pela Unimed. Agora, Fonseca quer levar o conceito para todo o Brasil e negocia terrenos em Curitiba, Florianópolis e São Paulo. “É um mercado com potencial enorme, e queremos navegar nesse oceano azul antes da concorrência”, afirma. Ainda no Sul do país, a incorporadora AG7, da capital paranaense, aposta no conceito “aging place”, em que a longevidade é consequência natural de um equilíbrio ideal entre mobilidade, contato com a natureza e convivência intergeracional. A piscina do spa e centro de longevidade do Allard Oscar Freire, na capital paulista: tecnologia e interiores luxuosos — Foto: GAFISA/DIVULGAÇÃO “O Ícaro Casa-Térrea é um exemplo perfeito disso”, afirma Andressa Gulin, médica e sócia-diretora de Estratégia e Inovação da AG7. O empreendimento ocupa um terreno de 20 mil metros quadrados vizinho a um bosque de araucárias, com segurança e acessibilidade, pista de caminhada e ambientes comuns de convivência. “Esses espaços estimulam a socialização e a interação com pessoas de outras gerações, algo essencial para um envelhecimento mais saudável”, aponta Andressa. Para a diretora, o debate da longevidade reflete uma demanda recente das pessoas por viver mais e melhor. “É um movimento interessante, e o mercado imobiliário tem um papel muito importante nesse processo, como ‘hardware’ dessa transformação”, diz. Ultraluxo Em São Paulo, o empreendimento Allard Oscar Freire, da Gafisa, terá spa e centro de longevidade posicionado nos pavimentos 6 e 7 da torre residencial. A ideia é ressignificar o conceito de “wellness”, com uma abordagem holística que una ciência, sensorialidade, natureza e qualidade de vida. O spa contará com ambientes desenhados para promover a regeneração completa do corpo e da mente, concebido como uma extensão da arquitetura do prédio: silencioso, preciso e funcional. Entre as experiências, “body scan” para varredura corporal digital, sauna com infravermelho, salas de “sound healing” e de cristais, além de câmara hiperbárica, equipamento que proporciona oxigenação em alta pressão, um recurso utilizado tanto para fins terapêuticos quanto regenerativos, com aplicação reconhecida na medicina de performance, cicatrização e antienvelhecimento. “A longevidade já está impactando o mercado imobiliário, impulsionada pela crescente busca por autocuidado e bem-estar”, afirma Luis Fernando Ortiz, CEO da Gafisa. O executivo diz que o tema já orienta o desenvolvimento dos projetos no alto padrão. “As incorporadoras têm criado projetos alinhados a essa transformação, oferecendo espaços que promovem qualidade de vida no dia a dia das pessoas”, analisa. O espaço no Allard Oscar Freire será aberto ao público e deverá ser operado por marca.
Longevidade inspira projetos de alto padrão
Busca por mais qualidade e tempo de vida vem orientando lançamentos imobiliários com oferta de serviços premium de saúde, “wellness” e arquitetura voltada à convivência










