Setor de serviços vem puxando movimento para novos centros regionais A interiorização ganha espaço na estratégia de expansão das franquias. De grandes redes a microfranquias, marcas de diferentes segmentos têm avançado sobre cidades de médio e pequeno porte em busca de mercados menos concorridos, custos menores e novas oportunidades de crescimento. “As franquias mais maduras, com capacidade operacional, lideram o fenômeno. E não se trata de uma fuga das capitais, mas de um movimento natural de capilarização da marca, que pode trazer muito resultado. A chegada de um shopping center no município com seu mix também alavanca a tendência”, diz Leila Toledo, coordenadora acadêmica no IAG - Escola de Negócios, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Janeiro (PUC-Rio). Para a pesquisadora, após a pandemia, o setor de serviços vem puxando a interiorização das operações para novos centros regionais, como os polos turísticos no Nordeste. “Neste ramo, basicamente se compartilha know-how à diferença da alimentação, que precisa de uma rede regional de fornecedores credenciados para o abastecimento. Então, é mais fácil interiorizar nos serviços. Porém, há o desafio de encontrar mão de obra especializada”, pondera Toledo. Nos últimos dez meses, o Instituto Visão Solidária (IVS), de Cuiabá (MT), abriu 40 unidades pelo país. O propósito da franqueadora é baratear o acesso a óculos, oferecendo lentes e armações a preços abaixo da média. “Em 2018, quando abri a primeira loja, já tinha um ponto de venda circulante pelo Mato Grosso. Na verdade, comecei com tração direcionada ao interior porque notava as pessoas reclamando do preço mais caro por lá do que em Cuiabá. Ou seja, havia demanda para meu tipo de produto e objetivo de democratizar a saúde visual”, conta Tony Cozendey, fundador do IVS. Hoje, o empreendedor, com uma carteira de 350 unidades franqueadas em 25 Estados, considera a publicidade mais barata das cidades menores uma vantagem. “Podemos anunciar em vários canais de marketing com investimento baixo”, diz. A logística, por outro lado, é um entrave. “A concentração no modal rodoviário impõe uma crise muito grande ao Brasil. As estruturas estão abarrotadas de produtos sem capacidade de distribuição”, observa Cozendey, que recebe lentes de 12 laboratórios espalhados pelo país. A microfranquia FrogPay também cresce com a interiorização. A empresa surgiu há 10 anos oferecendo serviços de pagamento eletrônico - as maquininhas de cartão. Hoje com 185 unidades, vem conquistando espaço pelo interior de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro. Em São Paulo, onde fica a sede, conta com 49 franqueados em diferentes cidades. De perfil familiar, a empresa opera um modelo em que o franqueado funciona como um representante da marca, devidamente treinado e municiado com materiais de apoio, que prospecta o comércio oferecendo quatro modelos de máquinas, além de uma linha de capital de giro. Não é necessário que o franqueado compre as maquininhas - os comerciantes podem alugá-las da FrogPay. Em caso de insatisfação, podem devolvê-las sem cobrança de multas ou taxas. “Interiorizar está na estratégia. As grandes cidades estão muito saturadas no mercado das maquininhas, onde fica difícil competir com os grandes bancos”, comenta Marcelo Ramos, diretor comercial da fintech. “Estamos em todas as regiões e queremos expandir ainda mais em alguns mercados, como o Rio Grande do Norte, onde o comércio é bom”, acrescenta. Entre novos contratos no interior e capitais, a marca projeta fechar o ano com crescimento de, ao menos, 20% em relação a 2025.
Marcas rumam para o interior
Setor de serviços vem puxando movimento para novos centros regionais













