Marcas chinesas chegam ao mercado automotivo brasileiro Ford — Foto: Bloomberg A decisão da Toyota de encerrar a produção em Indaiatuba (SP), anunciada no último sábado (20), é o episódio mais recente de uma mudança na indústria automobilística brasileira. A fábrica, que produziu pela última vez o Corolla na unidade do interior paulista, terá a produção transferida para Sorocaba (SP) e se soma a uma lista de plantas desativadas por montadoras tradicionais nos últimos anos. Em contrapartida, a marca chinesa GWM vai anunciar a construção de uma segunda fábrica em Aracruz (ES), em um terreno doado pelo Estado, segundo informou Marli Olmos, do Valor. A primeira planta da empresa está localizada em Iracemápolis (SP), antigo local da única fábrica de carros da Mercedes-Benz que foi fechada em 2020. O segundo local integra os investimentos da marca até 2032, que deve gastar, até o ano limite, cerca de R$ 10 bilhões. De 2020 para cá, marcas como Ford, Mercedes-Benz e Troller fecharam fábricas no país, num movimento associado a custos altos, baixa rentabilidade e reconfiguração global de portfólios. No mesmo período, pelo menos sete marcas chinesas desembarcaram ou ampliaram presença industrial no Brasil, algumas delas ocupando linhas de produção deixadas por grupos históricos do setor. Outra provável saída é a da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ), segundo divulgou o UOL. A primeira fábrica da marca fora do Reino Unido negocia a entrada da chinesa Omoda & Jaecoo, após carta de intenção assinada pela Chery para assumir o complexo. Veja abaixo a lista das fábricas das montadoras que fecharam no Brasil: Fábricas de carros que fecharam no Brasil Marca Cidade e estado Ano da desativação Mercedez-Benz Iracemápolis (São Paulo) 2020 Ford Camaçari (Bahia) 2021 Ford Taubaté (São Paulo) 2021 Troller Horizonte (Ceará) 2021 Subaru (comercialização) Todo o Brasil 2026 Toyota Indaiatuba (São Paulo) 2026 Adans Pablo Carvalho, coordenador da pós-graduação em Engenharia Automotiva e Mobilidade da PUCPR, explica que a saída da Ford já era algo premeditado. Diferente de outras empresas tradicionais presentes no mercado brasileiro há muito tempo, como Volkswagen, GM (General Motors) e Fiat, a Ford não conseguiu se adaptar. Com isso, a montadora foi aos poucos perdendo espaço no mercado e acumulando mais problemas financeiros, com o alto custo de produção, baixa rentabilidade e processos trabalhistas no país. Para os carros da Mercedes-Benz e da Land Rover, a importação também faz mais sentido, tendo em vista que o mercado brasileiro para os carros de luxo é muito pequeno. Carvalho explica que o alto custo de produção dos carros, combinado com o mercado apertado, foi a fórmula para a saída das duas marcas no país. Veja abaixo a lista das fábricas que chegaram ao Brasil: Fábricas de carros que chegaram no Brasil Marca Cidade e estado Origem do terreno País da marca Veio para o Brasil em BYD Camaçari (Bahia) Antiga Ford China 2021 GWM Iracemápolis (São Paulo) Antiga Mercedes-Benz China 2023 Leapmotor Goiana (Pernambuco) Planta Stellantis China 2025 Geely São José dos Pinhais (Paraná) Parceria com a Renault China 2013-2016/2025 CAOA Changan Anápolis (Goiás) Complexo CAOA China 2026 GAC Motor Catalão (Goiás) Ligado à Mitsubishi China 2027 MG Motor Horizonte (Ceará) Antiga Troller Inglaterra 2025 Dongfeng Resende (Rio de Janeiro) Parceria com a Nissan China 2026 Já a entrada de empresas chinesas no mercado brasileiro pode ser explicada como uma estratégia do país asiático de ver o Brasil como uma plataforma essencial na América Latina, conta o coordenador da PUCPR. Para ele, o Brasil é um mercado desenvolvido e com abertura aos produtos chineses que combinam modernidade e baixo custo. Enquanto as empresas tradicionais aumentam os preços em carros comuns e com tecnologia antiga, as marcas chinesas chegam oferecendo desenvolvimento tecnológico pelo mesmo preço. Essa vantagem é importante para que essas montadoras chinesas entrem e conquistem o mercado brasileiro, que foi classificado como tradicionalista por Carvalho. “No Brasil, você já tem um mercado consumidor relevante, bem estruturado, com fornecedores consolidados, mão de obra especializada e, claro, em uma localização muito estratégica. O Brasil é um país muito importante na América Latina e estar inserido aqui permite que a marca compita com todos os países latinos”, explica o especialista. *Estagiária sob supervisão de Diogo Max