Plantas são seres estacionários, mas isso não quer dizer que sejam passivos. "Não é como se qualquer organismo pudesse fazer o que quiser com ela. Ela está parada, mas não é indefesa", diz Marcelo Campos, professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
"Plantas também têm um sistema imune. Nós é que não percebemos", conta o biólogo, que coordena um laboratório que investiga os mecanismos de defesa do reino vegetal.
Tanto não percebemos que apreciamos substâncias que, em princípio, serviriam para nos manter longe de algumas plantas. O sabor do orégano, o ardor da pimenta e a palpitação causada pelo café e chocolate derivam de compostos que, em grandes quantidades, podem até nos matar.
Um dos responsáveis pela ardência característica das pimentas é a capsaicina, toxina produzida pela planta como mecanismo de defesa contra herbívoros. Ao entrar em contato com a boca, a capsaicina ativa receptores nervosos responsáveis pela percepção de calor e dor, fazendo o cérebro acreditar que estamos consumindo algo extremamente quente.
Em concentrações elevadas, ela pode causar intensa irritação das mucosas, desconforto gastrointestinal e lesões severas. Ainda assim, as pequenas quantidades utilizadas como tempero são seguras.








