Uma equipa de investigadores desenvolveu um método que utiliza a bioluminescência fúngica para monitorizar a saúde das culturas, este sistema faz com que as plantas brilhem e mudem de cor quando infectadas por um vírus, o que pode ajudar no combate a pragas e doenças.O trabalho, publicado na revista Nature Communications, foi desenvolvido por uma equipa do Instituto de Biologia Molecular e Celular de Plantas (IBMCP), um centro conjunto do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) e da Universidade Politécnica de Valência. Contribuíram também o Centro Margarita Salas de Investigação Biológica, a Unidade Central de Investigação em Medicina da Universidade de Valência e o Laboratório de Ciências Médicas do Conselho de Investigação Médica (MRC), em Londres.Este detector biológico e luminoso de infecções é um método para monitorizar e controlar pragas e doenças ao utilizar plantas que produzem luz e empregam um mecanismo de emissão de luz inspirado em fungos, segundo a Universidade Politécnica de Valência.Os investigadores desenvolveram um sistema em que a planta emite um tipo de luz quando está saudável e outro quando está infectada por um vírus, algo que pode ser detectado com câmaras convencionais antes do aparecimento dos sintomas da doença.O trabalho baseia-se no sistema bioluminescente dos fungos, em que quatro enzimas transformam um composto natural da planta (ácido cafeico) numa molécula, que, quando oxidada, emite uma luz verde constante. Ao utilizar o mesmo mecanismo que faz com que certos fungos brilhem, os cientistas programam geneticamente plantas de tabaco para emitir uma luz amarela contínua, como uma luz-piloto indicando que tudo está a funcionar correctamente.Quando um vírus infecta a planta, essa luz muda para verde. “Um sistema automatizado de câmaras consegue detectar a infecção antes que surjam quaisquer sintomas visíveis”, explica Diego Orzáez, investigador do IBMCP e um dos principais autores do estudo.A equipa demonstrou a eficácia do sistema em plantas transgénicas de Nicotiana benthamiana, uma parente do tabaco utilizada como planta modelo na investigação.A aplicação mais directa deste sistema é a vigilância precoce de doenças virais em estufas e culturas agrícolas em ambientes controlados, onde a simples plantação de algumas plantas-sentinela entre culturas seria suficiente para detectar os surtos antes que se propaguem. A longo prazo, o sistema pode ser adaptado a outros vírus e até a bactérias ou fungos que possuem enzimas semelhantes. Apresenta também potencial no contexto das alterações climáticas, onde o surgimento de novos agentes patogénicos invasores torna a detecção precoce cada vez mais urgente.
Desenvolvidas plantas que brilham e mudam de cor quando são infectadas por vírus
As plantas emitem um brilho verde quando são infectadas por um vírus, um novo método que pode ser utilizado para monitorizar a saúde das culturas agrícolas.










