Projeto da Secretaria de Educação prevê formações em dez áreas, como logística, estética, IA, podologia e massoterapia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alunos do Colégio estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado — Foto: Fabiano Rocha RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 21:05 Rio de Janeiro adere ao Propag para investir em educação e infraestrutura O Rio de Janeiro aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), aliviando suas finanças e permitindo investimentos em áreas como educação e infraestrutura. A Secretaria de Educação planeja oferecer 109 mil vagas em cursos técnicos, em áreas como logística e IA, podendo chegar a 213 mil matrículas até 2027. Apesar do avanço, especialistas destacam a necessidade de melhorar a infraestrutura educacional e a governança do estado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A adesão do Rio ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) representa alívio às contas fluminenses e, ao mesmo tempo, a oportunidade de incremento nos investimentos em áreas como educação, infraestrutura e segurança. Mas será preciso que o estado aja rápido para honrar o compromisso de aplicar R$ 900 milhões ainda este ano. No campo do ensino técnico, o dever de casa começou a ser feito na semana passada, quando 380 escolas da rede receberam um formulário para responder se tinham interesse e disponibilidade para receber novos cursos. Pelo planejamento da Secretaria estadual de Educação (Seeduc), a meta é oferecer 109 mil vagas a partir de agosto. A Secretária estadual de Fazenda (Sefaz), no entanto, trabalha com números mais modestos: 30 mil vagas. A partir de 2027, o número de matrículas, segundo a Seeduc, tem potencial para chegar a 213 mil. No questionário, as unidades pré-selecionadas tinham que responder ainda sobre a qualidade do acesso à internet, o número de salas ociosas em cada turno e qual o curso técnico prioritário entre as dez formações disponíveis: Logística; Estética; Informática para Internet; IA; Guia de Turismo; Edificações; Podologia; Massoterapia; Segurança do Trabalho e Administração. Em documento obtido pelo GLOBO, a Seeduc afirma ter identificado 7.140 salas disponíveis. Além dos colégios, mais 35 unidades da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) farão parte do projeto. A instituição também será responsável pela parte pedagógica com professores próprios ou em parcerias como, por exemplo, com o sistema Senai/Senac. Presidente do Instituto Salto, ex-diretora global de Educação do Banco Mundial e ex-secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin diz que o estado, por conta da Faetec, tem uma oferta de ensino profissionalizante razoável, mas muitos cursos não dispõem de equipamentos: — É preciso ter um ensino técnico profissionalizante de qualidade. Você não pode dar um curso, por exemplo, de técnico em mecatrônica só com quadro. Os laboratórios precisam de equipamentos. Costin defende, além dos cursos citados pelo estado, incluir formações em mecatrônica, química e eletrônica, para dialogar com a realidade do Rio. Ela entende ainda ser fundamental melhorar a infraestrutura das escolas e aumentar o número de colégios com ensino médio integral, o que seria possível adotando o regime de dedicação exclusiva para os professores. — De 2009 a 2014, várias escolas do Rio passaram a funcionar em tempo integral. De lá para cá, não houve avanço. Enquanto isso, a maior parte dos estados está avançando bem rapidamente em direção a colocar todas as escolas de ensino médio em tempo integral. 60% para ensino técnico A especialista em educação lamentou que o Estado do Rio, mesmo tendo o segundo PIB do país, seja um dos piores colocados em educação no Brasil. No Ideb (Índice de Desenvolvimento do Ensino Médio), que mede qualidade da educação, o Rio é o penúltimo colocado no ranking de estados. Tirou 3,3 numa escala que vai de 0 a 10. O cronograma estabelecido para a nova oferta de ensino técnico no estado prevê que até a próxima terça-feira o planejamento consolidado seja enviado ao Ministério da Educação (MEC). Até julho, deverão ser contratadas pela Faetec as instituições parceiras.O cronograma estabelecido para a nova oferta de ensino técnico no estado prevê que até a próxima terça-feira o planejamento consolidado seja enviado ao Ministério da Educação (MEC). Até julho, deverão ser contratadas pela Faetec as instituições parceiras. A prioridade em ensino técnico é parte das exigências do Propag. Segundo as diretrizes do programa, pelo menos 60% dos recursos das contrapartidas de investimento dos estados deverão ser destinados à expansão da educação técnica pública. Os 40% restantes poderão ser aplicados em outros campos da educação, como tempo integral, universidades estaduais e infraestrutura para universalização do ensino infantil, por exemplo. Além disso, são bem-vindos os investimentos em saneamento, habitação, adaptação às mudanças climáticas, transporte e segurança pública. Economista e especialista em infraestrutura, Claudio Frischtak ressalta que o Rio tem fragilidade em praticamente todas as áreas: — Fomos muito mal governados por muitos anos. Temos problemas em educação, saúde, infraestrutura... O problema maior do Estado do Rio é governança, a qualidade do governo. Na área de infraestrutura, Frischtak entende que a prioridade número um deveria ser a modernização do transporte de massa, especialmente trens e metrô, inclusive em Niterói e São Gonçalo: — Temos uma crise de mobilidade na Região Metropolitana do Rio. Os investimentos nos sistemas de transporte de média e alta capacidades são muito pesados e o estado precisa alocar recursos. A segunda prioridade em infraestrutura, segundo o especialista, deveria ser investir em saneamento básico nas regiões que estão fora das concessões. — É improvável que a universalização do sistema de água e esgoto chegue a essas cidades que estão fora. Ou serão cobertas muito adiante, daqui a 15 anos. Sem o estado investir, não há como universalizar o saneamento. O Estado do Rio poderia criar um fundo para a universalização do saneamento, sendo que parte desses recursos poderia vir do pré-sal. Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), avalia que a política de segurança pública no Rio permanece baseada em uma lógica de confronto armado que já demonstrou limitações nas últimas décadas. Para a pesquisadora, o debate não deve se concentrar no aumento do orçamento, mas na revisão das prioridades de investimento, com maior atenção para inteligência, investigação e perícia criminal. — Não acho que a segurança pública precise de mais investimentos; ela precisa racionalizar e redistribuir melhor os recursos internamente. Investimentos em educação, infraestrutura e saúde são muito mais necessários e talvez tenham efeitos maiores na segurança que a compra de caveirões, helicópteros e fuzis — defende Carolina Grillo. Deveres descumpridos O economista do Insper André Luiz Marques destaca que, apesar de o Propag ser bom para o Rio, é importante não deixar acontecer o mesmo que ocorreu durante o Regime de Recuperação Fiscal, que antecedeu o novo programa: — O Estado do Rio, quando entrou no regime de recuperação, também tinha uma série de deveres e obrigações. Só que muitos acabaram não cumpridos. De nada vai adiantar um novo programa se não mexer na estrutura. Caso, contrário, daqui a cinco, seis, sete, oito anos vai ter que haver um novo programa. Não adianta você dar fôlego e o mergulhador continuar afogado. Precisa nadar contra a correnteza, precisa brigar. Em nota, a Sefaz confirmou que o governo prevê gastar R$ 900 milhões em setores estratégicos até o fim do ano como contrapartida prevista pela adesão ao Propag e mais R$ 2,2 bilhões em 2027. Para “o ensino técnico de nível médio estão previstos cerca de R$ 600 milhões este ano”. Veja abaixo a íntegra da nota da Sefaz Para o segundo semestre de 2026, estão previstos cerca de R$ 900 milhões em investimentos em setores estratégicos como contrapartida prevista pela adesão ao Propag. O montante sobe para R$ 2,2 bilhões em 2027. Somente para o Ensino Técnico de Nível Médio estão previstos cerca de R$ 600 milhões este ano, criando 30 mil novas vagas em redes próprias e por meio de parcerias, dobrando a capacidade atual. Será criada uma Comissão de Monitoramento do Propag, formada pelas secretarias de Fazenda, Planejamento e Casa Civil e com participação das áreas que gerenciam os setores que vão receber os investimentos. Essa comissão vai acompanhar a elaboração e a implementação dos projetos prioritários em cada uma das áreas previstas nas contrapartidas: Ensino Técnico de Nível Médio, Universidades Estaduais, Infraestrutura para Universalização do Ensino Infantil e Educação em Tempo Integral, Saneamento, Habitação, Adaptação às Mudanças Climáticas, Transportes e Segurança Pública.
Propag: adesão do Estado do Rio ao programa vai abrir novas vagas para cursos técnicos na rede de ensino; entenda
Projeto da Secretaria de Educação prevê formações em dez áreas, como logística, estética, IA, podologia e massoterapia








