Daqui a trinta ou quarenta anos, vamos nos emocionar se encontrarmos nossos jogadores, por acaso, no lobby de um hotel 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Foto aérea da seleção brasileira — Foto: Angela WEISS / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 21:47 Encontro Emocional com Júnior Baiano: Nostalgia e Conexão Eterna com Ídolos do Futebol O artigo narra a experiência emocional de encontrar um ídolo do futebol, Júnior Baiano, em um hotel. Um motorista carioca, em missão para buscar o ex-jogador, expressa entusiasmo ao relembrar as façanhas do ídolo rubro-negro. O encontro casual desperta nostalgia e destaca como figuras do esporte marcam gerações. O texto reflete sobre a duradoura conexão emocional com ídolos do passado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Estava a caminho do café da manhã quando, ao passar pela recepção, percebi a resenha. Eram o motorista de uma emissora e um funcionário do hotel. Não foi preciso ouvir uma palavra do motorista para saber sua origem: antes mesmo do primeiro merrrmão, do primeiro caô, já sabia que se tratava de um legítimo carioca. Pois o legítimo carioca tinha uma missão muito importante naquele hotel onde eu estava hospedado: buscar um jogador de futebol. Na verdade, um ex-jogador. Pelo entusiasmo com que descrevia a tarefa, não foram necessárias mais do que algumas palavras para saber seu time: era rubro-negro e estava ali para buscar o Júnior Baiano. Ao ouvir o nome, meu comentário foi quase automático: “Nossa, batia muito!” Algumas pessoas, talvez várias, quem sabe todas, já me disseram: você devia adquirir o hábito de ficar calado, ainda mais quando está entre estranhos. Não digo que estejam erradas, mas às vezes os comentários adquirem vida própria, e quem sou eu para cercear sua liberdade? Ele não ficou chateado, pelo contrário. Encontrou em mim um sócio para explicar ao funcionário, rapaz novo e santista, quem era a pessoa que procurava. De alguma forma, não quero especular qual, o motorista adivinhou o meu time. Inclusive me usou como argumento: “até ele”, disse apontando para mim, “que é tricolor, sabe de quem se trata”. “Batia muito!” Voltei a comentar. “E era um pouco estabanado”, acrescentei. Esse segundo comentário não foi muito bem recebido, mas ele seguiu na missão de encontrar o ídolo. Segundo o computador da recepção, não havia nenhum Junior Baiano hospedado ali. O motorista começou a enumerar suas façanhas. Júnior Baiano jogou no Flamengo nos anos noventa. Foi ídolo do clube e defendeu a seleção. Disputou uma Copa, mas no século passado, o que explicava, em parte, por que o jovem funcionário não o conhecia. O tempo passa para todos. Quase todos: ídolos ficam. O motorista, pelo brilho no olhar, acompanhara Júnior de perto, nos domingos no Maracanã, e de longe, na seleção. Como esquecer? Acho que todos nós temos um oratório para os nossos heróis da infância e da juventude. Na minha mesa de cabeceira habitam autógrafos de Rivellino, Romerito e Maradona, que fazem companhia a uma dedicatória do Sargento Pincel e a uma foto com Ted Boy Marino. A gente nunca deixa de ser garoto. Tentei ajudar: vamos descobrir na internet qual o seu verdadeiro nome. Raimundo. Não iam achar nunca. O funcionário interfonou para o quarto e avisou: ele está descendo. Veio um momento para deixar emocionados rubro-negros, tricolores e até um funcionário jovem e santista. O torcedor encontrando o ídolo da juventude. Fiquei imaginando quantas vezes este carioca perdido em São Paulo invocou as memórias do Maracanã, do Júnior Baiano, do Flamengo, para aplacar as saudades de casa. Quem nunca? Depois de um abraço, me apresentou, disfarçando os olhos úmidos: “Aí, tricolor, taí o Júnior Baiano. Jogava muito!”. Foi embora feliz. Que dia. Hoje à noite o Brasil enfrenta a Escócia. Pode ser que termine a partida com cara de campeão, pode ser que não. É do jogo. Do que, sim, tenho certeza, é que daqui a trinta ou quarenta anos vamos nos emocionar se encontrarmos um desses jogadores, por acaso, no lobby de um hotel. Também é do jogo. Júnior Baiano? Uma simpatia, mas batia muito.