Em junho de 2024, dias antes de ser eleito premiê, o trabalhista Keir Starmer disse que o debate em torno da volta do Reino Unido à União Europeia causaria um "tumulto indesejável". Passaram-se dois anos, Starmer perdeu a cadeira de primeiro-ministro na véspera dos dez anos do brexit, e a discussão sobre o tema —um elefante na sala do número 10 da Downing Street— parece agora inevitável.
Os britânicos experimentam um sentimento apelidado de "bregret": junção das palavras "Britain" e "regret" (arrependimento). Muitos deles saíram às ruas no final de semana pedindo uma reaproximação com a União Europeia.
Um levantamento do YouGov, um dos principais institutos de pesquisa do Reino Unido, mostra que 56% dos cidadãos do país consideram o brexit um erro, contra 31% que ainda apoiam o resultado do referendo de 23 de junho de 2016. Na ocasião, 51,9% dos eleitores votaram a favor, contra 48,1%.
Entre os arrependidos está Dani Loughran, diretora de uma distribuidora de produtos químicos na região metropolitana de Londres. Sua empresa foi obrigada a abrir subsidiárias em outros países europeus para seguir exportando.
"Criamos vários empregos, mas quase todos na Polônia e na Alemanha", disse Loughran em documentário publicado pelo Financial Times. O corte do acesso fácil ao continente é uma queixa frequente dos empresários.












