Uma diferença marcante entre as duas maiores vertentes cristãs é a relação com os santos: enquanto católicos os veneram como exemplos de fé, evangélicos veem aí uma forma de idolatria, pois a Bíblia ensina que a adoração deve ser direcionada apenas a Deus.

Chega junho, e a divergência doutrinária ganha contornos bem práticos para milhões de brasileiros que se declaram evangélicos: e participar dos festejos de são João, as tradicionalíssimas festas juninas, pode?

É uma discussão que envolve cultura popular e interpretação da Bíblia. E aqui as igrejas evangélicas se dividem. As mais rígidas vetam a presença do fiel e ponto. As mais flexíveis criam alternativas como o Arraiá Gospel, promovido todo ano em várias unidades da Renascer em Cristo —o de 2026 será no sábado (27).

Para o apóstolo Estevam Hernandes, líder da igreja, é tipo separar joio de trigo. A versão católica "está atrelada aos santos, e a evangélica, somente à parte festiva, com pipoca, pinhão e quadrilhas", diz.

Ele está alinhado à parcela evangélica que não vê por que ficar de fora de uma manifestação cultural já dissociada de seu caráter estritamente religioso. O que importa é filtrar elementos tidos como neutros e compatíveis com a fé do grupo, e adaptar o que der para adaptar.