Consumidores chegam mais informados aos pontos de venda, ampliam o interesse por cortes antes restritos a churrascarias e impulsionam o crescimento das marcas próprias no varejo alimentar Divulgação — Foto: Divulgação O consumidor brasileiro está mudando a forma de comprar carne. A decisão já não passa apenas pelo preço ou pelo corte tradicional que sempre esteve presente no almoço de família. Nas lojas especializadas, cresce a procura por informações sobre origem, marmoreio, formas de preparo e características que antes ficavam restritas a açougues premium, restaurantes e churrascarias. O movimento acompanha uma transformação observada em diferentes segmentos da alimentação. O acesso a conteúdos gastronômicos, programas de culinária, influenciadores especializados e comunidades digitais ajudou a ampliar o conhecimento dos consumidores sobre carnes bovinas, suínas, pescados e cortes especiais. Com isso, produtos como ancho, chorizo, short rib, flat iron e hambúrgueres Angus passaram a ocupar espaço cada vez maior nas compras do dia a dia. A mudança também alterou a dinâmica do varejo. Se antes a maior parte das vendas estava concentrada em um grupo reduzido de cortes tradicionais, hoje os consumidores demonstram interesse por experimentar novas opções e entender quais produtos fazem mais sentido para diferentes ocasiões de consumo. Pesquisas sobre comportamento de compra de carne bovina no Brasil reforçam essa tendência. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá identificou que os hábitos de consumo vêm passando por transformações impulsionadas pela valorização de atributos ligados à qualidade, procedência e características do produto. O levantamento aponta que os consumidores demonstram interesse crescente por informações que auxiliem na avaliação da carne, criando oportunidades para produtos segmentados e de maior valor agregado. Além disso, estudos da Embrapa mostram que atributos como origem, certificação, qualidade percebida e segurança alimentar vêm ganhando importância na decisão de compra, fortalecendo a demanda por categorias premium e cortes diferenciados. Nesse cenário, o varejo especializado assume um papel cada vez mais estratégico. Mais do que disponibilizar produtos, as lojas passam a atuar como pontos de orientação, ajudando os clientes a conhecer novos cortes, entender métodos de preparo e descobrir alternativas que ampliam suas experiências de consumo. A informação deixa de ser um diferencial e passa a fazer parte da própria jornada de compra. Segundo Renato Palhares, diretor de operações da FrigoExpress, a principal transformação está no perfil do cliente. "O consumidor chega muito mais preparado ao ponto de venda. Ele pesquisou antes, assistiu a vídeos, acompanhou conteúdos de churrasco e gastronomia e quer entender as diferenças entre os produtos. Hoje existe uma curiosidade muito maior sobre cortes, procedência e características da carne." Ao mesmo tempo em que cresce a procura por produtos diferenciados, outro fenômeno chama a atenção do setor: o fortalecimento das marcas próprias. Tradicionalmente associadas à economia, elas passaram a ocupar espaço em categorias que exigem confiança, qualidade e padronização, incluindo carnes, pescados, congelados e produtos para churrasco. Para Palhares, essa mudança está diretamente ligada ao amadurecimento do consumidor brasileiro. "As pessoas perceberam que uma marca própria não significa um produto de qualidade inferior. Na prática, estamos falando de itens desenvolvidos por fabricantes especializados, com controle rigoroso de qualidade e especificações definidas pelo varejista. O consumidor passou a avaliar muito mais o que está levando para casa do que apenas o nome estampado na embalagem." A diferença está na estrutura comercial que existe por trás de cada produto. Enquanto grandes marcas nacionais carregam investimentos em campanhas publicitárias, ações promocionais, verbas de exposição e outras etapas da cadeia de comercialização, as marcas próprias operam com uma estrutura mais enxuta, permitindo entregar uma relação entre qualidade e custo-benefício bastante competitiva. A FrigoExpress acompanha esse movimento por meio de um portfólio de marcas próprias que atende diferentes perfis de consumo. A linha Frigo Fácil, por exemplo, foi desenvolvida para consumidores que buscam praticidade e conveniência no dia a dia. Já as linhas premium da rede atendem clientes interessados em cortes especiais, produtos selecionados e experiências gastronômicas mais sofisticadas. "Existe espaço para todos os perfis de consumo. Algumas pessoas procuram praticidade para a rotina da semana. Outras querem montar um churrasco especial ou preparar uma refeição diferenciada para a família. O papel do varejo é oferecer opções confiáveis para cada momento, mantendo padrão de qualidade independentemente da faixa de preço", afirma Palhares. O resultado é um consumidor mais exigente, mais informado e disposto a explorar novas possibilidades. Para o setor, a tendência indica que a compra de carne está cada vez menos ligada ao hábito automático e cada vez mais associada à escolha consciente do produto, da marca e da experiência que ele pretende levar para a mesa.
Marcas próprias e cortes especiais mudam a forma como os brasileiros compram carne
Consumidores chegam mais informados aos pontos de venda, ampliam o interesse por cortes antes restritos a churrascarias e impulsionam o crescimento das marcas próprias no varejo alimentar
Consumidor brasileiro chega ao varejo informado sobre cortes e origem, impulsionando crescimento de private labels em premium contra marcas nacionais. Shift cria novas exigências: varejo deve investir em conteúdo, diferenciação e inteligência de consumidor para competir.










