Em meio a uma crise deflagrada pelo caso de misoginia que implicou no afastamento de cinco atletas da seleção brasileira de flag football, a Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), responsável pela modalidade, parece ter adotado o silêncio, inclusive no acolhimento às vítimas. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, as mulheres citadas na troca de mensagens entre os atletas afastados não receberam qualquer tipo de suporte da entidade, tampouco psicológico. — A CBFA não fala absolutamente nada, não acolheu ninguém — disse uma das vítimas que prefere não ser identificada, nesta segunda-feira (22). — Quem está envolvido não sabe de nada do que está rolando, se é que está rolando. Seria importante um parecer por parte deles, justamente pra não ficar tudo na base da fofoca — continuou. Questionada pelo GLOBO sobre quais procedimentos adotou junto às vítimas após as denúncias, a CBFA não respondeu até a publicação desta matéria. 'Temos que mandar matar' Então titulares da seleção brasileira de flag football, João Pedro Chermont, Vitor "Pedalada" Paiva, Nicolas Quadro, Matheus "Viza" Duarte de Oliveira e Felipe Aymoré foram afastados da equipe depois que uma denúncia feita junto à CBFA expôs uma suposta troca de mensagens do grupo com uma série de comentários misóginos a respeito de jogadoras da seleção feminina e do estafe da confederação. A suposta conversa entre os jogadores foi exposta pela então namorada de um dos deles depois que ela teria descoberto uma traição. O jogador em questão teria se relacionado com uma atleta, que seria casada, em um evento no México que reunia as seleções masculina e feminina, e teria filmado a relação. De volta ao Brasil, a namorada do jogador teria descoberto não só as filmagens, mas também o conteúdo da conversa do grupo. Todos os jogadores envolvidos no caso apagaram seus perfis nas redes sociais. "Mariana (nome fictício) eu como só pra dar umas porradas", "alguém precisa pegar essa 'fdp' de porrada", e "vamos comprar um sonífero para as namoradas" são algumas das mensagens que constam na conversa obtida pelo GLOBO. Várias mulheres são classificadas pelos atletas com palavras como "puta", "piranha", "vagabunda" e "cachorra". Em um trecho, ao citarem uma boate de Florianópolis, um deles descreve o local como "bom para cometer crimes", salientando, ainda, que a predominância do público do espaço é "U18", suposta sigla para "under 18" (menor de 18, na tradução). Em outro momento, um deles faz uma lista de mulheres e sugere ao grupo: "temos que mandar matar ainda em 2026". Uma delas é a vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), Rakel Barros. 'Nada a manifestar' A presidente da CBFA, Cris Kagiwara, também é alvo de vários comentários misóginos e depreciativos do grupo. Procurada pelo GLOBO neste domingo (21), Kajiwara preferiu não se manifestar. Mas enviou uma nota em nome da CBFA. Leia a seguir: "A CBFA não tem nada a manifestar neste momento. Eventuais procedimentos relacionados ao tema tramitam sob sigilo, razão pela qual a Confederação não irá comentar, confirmar ou detalhar qualquer informação. Ressaltamos, ainda, que a divulgação indevida de informações protegidas por sigilo poderá gerar responsabilização de quem a fizer" Nesta segunda-feira (22), O GLOBO tentou contato, mais uma vez, com representantes da CBFA, mas não teve sucesso até a publicação desta matéria. A crise na seleção brasileira de flag football acontece pouco antes do Mundial da modalidade, marcado para agosto, em Dusseldorf, na Alemanha. E também em um momento bom para o esporte, que fará sua estreia nas Olimpíadas de Los Angeles, em 2028. Criado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra mundial, o flag football é uma versão mais soft do futebol americano, sem contato físico pesado. Em vez de derrubar o adversário, o defensor precisa retirar uma das fitas ("flags") presas à cintura do jogador que está com a bola.
Flag football: vítimas de misoginia não teriam sido acolhidas pela confederação brasileira da modalidade; entenda o caso
Cinco jogadores foram afastados da seleção brasileira de flag football após suposta troca de mensagens com conteúdo misógino: 'Temos que mandar matar ainda em 2026', teria dito um deles, se referindo a uma lista de mulheres










